Indústria petrolífera da Líbia continua vulnerável a protestos

quarta-feira, 9 de julho de 2014 20:10 BRT
 

Por Ulf Laessing

TRÍPOLI (Reuters) - A indústria petrolífera da Líbia espera que a vida volte ao normal agora que uma onda de manifestações amainou, mas levará meses para retomar a produção e há perspectiva de novos tumultos, já que o caos político se alastra pelo país do norte africano.

Na semana passada, um grupo de rebeldes do leste concordou em liberar dois grandes portos que tomaram um ano atrás no intuito de obter autonomia regional.

Assim como a liberação do campo de extração de El Sharara, no sul, onde outro grupo pôs fim a seu próprio bloqueio, a reabertura dos portos pode aumentar a exportação de petróleo para 650 mil barris por dia nas próximas semanas – ajudando a restaurar a maior parte dos 1,4 milhão de barris por dia que a Líbia produzia antes de os protestos paralizarem o setor.

Os rebeldes concordaram em encerrar seus bloqueios depois que os líbios elegeram uma nova assembleia parlamentar no mês passado, na qual os candidatos que advogaram um Estado federativo que compartilhe a riqueza do petróleo com todas as regiões se saíram bem no negligenciado leste, de acordo com resultados preliminares.

Mas novas manifestações podem irromper a qualquer momento, já que o governo não consegue controlar as milícias que ajudaram a depor Muammar Gaddafi em 2011 e que podem ocupar as instalações petrolíferas à vontade para obter alavancagem política e receitas do petróleo.

Nos termos do acordo para reabrir os portos do leste, agora os rebeldes receberão salários do governo, o que pode induzir outros milicianos a ocupar instalações petrolíferas em busca de recompensas semelhantes.

“Os ativos de energia continuarão sendo usados por grupos que desejam pressionar políticos de atuação nacional para barganhar”, disse Geoffrey Howard, analista da empresa Control Risks, sediada em Londres, que acaba de voltar de uma visita à Líbia.

“Os bloqueios devem prosseguir pelo menos até o próximo ano, tornando improvável uma retomada plena dos níveis de exportação”.

Uma oportunidade de chantagem em potencial é um aumento de salário de 70 por cento para trabalhadores do setor petrolífero, aprovado pelo governo no último outuno local em uma tentativa fracassada para desestimular os protestos. O banco central alertou que a implementação do aumento irá arruinar as finanças públicas, já imensamente pressionadas na esteira de um ano de manifestações.