Inflação global de alimentos vai desacelerar na próxima década, dizem FAO e OCDE

sexta-feira, 11 de julho de 2014 09:57 BRT
 

ROMA (Reuters) - A perspectiva para a inflação global de alimentos é de desaceleração e maior estabilidade com os preços das commodities agrícolas acomodando-se na próxima décadas, depois de anos de volatilidade, disseram nesta sexta-feira a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Mercados agrícolas viveram uma "montanha-russa" na última década, marcada por uma máxima recorde em 2008 e uma recessão em 2009, disseram as agências.

"No início do período da estimativa (2014-2023), a inflação de alimentos no nível dos consumidores parece menor e mais estável em todas as regiões do que estava nos turbulentos anos que sucederam a crise de preços", disseram a FAO e a OCDE.

As agências disseram que as projeções foram baseadas em suposições sobre políticas de governo, mercados, clima e fundamentos macroeconômicos, mas que áreas de incertezas, difíceis de prever, como doenças animais, não foram incluídas.

Clima ruim e preocupações com restrições a exportações foram apontadas como causas para a alta de preços em 2012, o que elevou temores de um retorno das condições que levaram a violentos protestos em países como Egito, Camarões e Haiti em 2007/08.

A OCDE e a FAO disseram que os preços agrícolas podem cair por mais um ou dois anos antes de estabilizarem-se em níveis acima dos vistos antes de 2008, mas abaixo de picos recentes.

Os preços do trigo deverão cair cerca de 1 por cento ao ano em termos reais durante os próximos 10 anos, ficando cerca de 13 por cento abaixo da média da década passada.

Uma forte demanda por carnes pela crescente classe média no Oriente Médio e na Ásia irão evitar que os preços das carnes caiam tanto quanto os preços de grãos para ração. Os preços de carnes em termos reais irão ficar mais altos que na década passada.

(Por Isla Binnie)