Indústria de açúcar do Brasil limita embarque à espera de preço melhor, diz Job

sexta-feira, 11 de julho de 2014 12:37 BRT
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO (Reuters) - A expectativa de preços mais elevados do açúcar a partir de meados do segundo semestre faz a indústria e tradings no Brasil limitarem vendas no curto prazo, afetando já os embarques do maior exportador global da commodity, disse o sócio-diretor da Job Economia, Julio Maria Borges.

Segundo o consultor, boa parte do açúcar produzido na atual temporada continua estocado nas usinas, enquanto as tradings não retiram o produto à espera de condições melhores para negociação.

"No médio prazo, vemos bons fundamentos para os preços do açúcar... Uma recuperação que pode ser até mais acentuada do que se imagina, dependendo da intensidade do El Niño", disse Borges.

A confirmação do fenômeno climático El Niño pode trazer mais chuvas para o centro-sul do Brasil, afetando a qualidade da cana e reduzindo a oferta de açúcar.

Os preços do açúcar bruto em Nova York, que estão em torno de 17 centavos de dólar por libra-peso, têm oscilado pouco ao longo do ano, após uma mínima de quase 15 centavos em janeiro, e estão abaixo dos custos totais das usinas, segundo o consultor.

Segundo ele, se considerar um câmbio de 2,25 reais, o preço deveria ser 19,50 centavos de dólar por libra-peso para remunerar adequadamente a indústria, de forma a cobrir custos totais.

"Espero que o preço alcance ainda no segundo semestre cerca de 20 centavos/lb, desta forma haverá exportação. Caso contrário, elas serão muito inibidas nesta safra. Em outras palavras, o Brasil vai reduzir muito sua participação nas exportações mundiais", disse.

A retração nas vendas tem se refletido nas exportações brasileiras, com os embarques no acumulado da safra (abril a junho) recuando cerca de 20 por cento na comparação anual, para 4,614 milhões de toneladas (açúcar bruto e refinado).   Continuação...