Banco dos Brics desafiará influência do Ocidente nas finanças globais

sexta-feira, 11 de julho de 2014 15:19 BRT
 

Por Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - Líderes dos Brics se reunirão na semana que vem para lançar um banco de desenvolvimento e um fundo de reservas emergenciais, no mais ousado desafio ao multilateralismo ocidental que têm moldado as finanças globais desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul vão aprovar na terça-feira as novas instituições após dois anos de negociações árduas, num importante passo para o grupo conhecido mais por sua retórica anti-Ocidente do que por ação coordenada.

Os Brics injetarão inicialmente 50 bilhões de dólares no banco, com cada país contribuindo com igual fração. Com isso, buscarão conseguir influência global oferecendo a países em desenvolvimento financaimento alternativo ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), há tempos dominados pelos Estados Unidos e pela Europa.

"É simbolicamente importante. Sinaliza a insatisfação dos Brics com sua posição no palco econômico global", disse o economista Charles Collyns, do Institute of International Finance, que representa os principais bancos privados e instituições financeiras do mundo.

"O fato de que eles conseguem se juntar e acertar a implementação dessas instituições é um símbolo importante de sua crescente importância", acrescentou.

O banco será chamado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), não "Banco Brics", deixando a porta aberta para outros países emergentes como Turquia, México, Indonésia e Nigéria se juntarem como sócios no futuro.

Muitas das regras operacionais do banco, como investimento futuro em projetos privados, serão decididas após sua criação formal na cúpula da semana que vem em Fortaleza. O banco deve fazer seu primeiro empréstimo em 2016.

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