Brasil atrasa pagamento de subvenção ao milho de 2013 e preocupa setor

sexta-feira, 11 de julho de 2014 16:14 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal ainda não pagou uma boa parte das subvenções contratadas em 2013 por produtores de milho que venderam o produto abaixo do preço mínimo, e a demora na análise dos pedidos preocupa o setor no momento em que se pede a realização de mais leilões para dar sustentação a um mercado em baixa.

Os leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) são um mecanismo em que o governo paga ao agricultor ou à sua cooperativa a diferença entre o valor obtido no mercado e o preço mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura.

A medida é adotada nos momentos em que a ampla oferta do produto derruba os preços, como foi o caso em determinadas regiões do país no ano passado, em meio a uma safra recorde do grão.

"As análises estão sendo extremamente criteriosas por parte da Conab, por isso a demora", disse o coordenador da comissão de Política Agrícola da Aprosoja Mato Grosso, Adolfo Petry.

Representantes de produtores avaliam que tais atrasos poderão ter influência no plantio da próxima safra do Estado, maior produtor do cereal no país.

Em 2013, agricultores contrataram Pepro para 8,86 milhões de toneladas de milho, com expectativa de pagamentos totais de 449 milhões de reais em subvenções, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O analista Paulo Molinari, da consultoria Safras & Mercado, estima que entre 60 e 70 por cento destes recursos ainda não foram liberados aos produtores.

"O produtor já perdeu o 'bonde' na venda no físico", disse o especialista, referindo-se às oportunidades de fechar negócio a preços melhores no início do ano. "E aí ele faz uma operação com o governo e só Deus sabe quando o governo vai pagar."   Continuação...