Rioforte, do Grupo Espírito Santo, prepara pedido de proteção contra credores

terça-feira, 15 de julho de 2014 12:30 BRT
 

LISBOA (Reuters) - A Rioforte, empresa holding do problemático clã português Espírito Santo, está se preparando para entrar com pedido de proteção contra credores, disseram fontes familiarizadas com o assunto nesta terça-feira, horas antes da Rioforte ter que pagar mais de 1 bilhão de dólares em dívida para a Portugal Telecom.

O pedido será feito na Justiça de Luxemburgo, onde a Rioforte está registrada, disse uma fonte próxima ao processo, acrescentando que ele tem como objetivo prevenir a insolvência que levaria a uma venda incontrolável de ativos a qualquer preço.

A Rioforte não quis comentar.

As fontes não quiseram comentar como o pedido poderia impactar o prazo desta terça-feira estipulado para o pagamento de 847 milhões de euros para a Portugal Telecom, referente a notas promissórias da Rioforte. As fontes disseram que negociações entre as duas empresas ainda estavam ocorrendo.

O investimento da operadora portuguesa na Rioforte e os temores de um calote levaram a críticas de acionistas da Oi, com a qual a Portugal Telecom está em processo de fusão, e levantou a possibilidade de revisão de termos do acordo de união entre as duas.

O momento do pedido de proteção depende do trabalho dos advogados em Luxemburgo, disseram as fontes.

A Rioforte detém ativos que passam por áreas como construção, hotelaria, agricultura e saúde, assim como uma fatia de 49 por cento no Espírito Santo Financial Group - maior acionista do Banco Espírito Santo.

Outra fonte disse que a recente turbulência no mercado, com investidores se desfazendo de ações do BES e de outros ativos portugueses, impediu que a Rioforte seguisse adiante com seu plano anterior de reestruturação da dívida e venda de ativos.

A Rioforte deve um total de 897 milhões de euros à maior operadora de telecomunicações do país, a Portugal Telecom, atualmente em processo de fusão com a brasileira Oi, operação que pode ter seus termos alterados no caso de inadimplência.

(Por Sergio Gonçalves)

 
Sede da Portugal Telecom em Lisboa. REUTERS/Hugo Correia