Yellen diz que recuperação dos EUA está incompleta e defende política monetária frouxa

terça-feira, 15 de julho de 2014 12:17 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - A recuperação econômica dos Estados Unidos continua incompleta, com o mercado de trabalho ainda abalado e salários estagnados justificando a política monetária frouxa no horizonte relevante, afirmou a chair do Federal Reserve, banco central norte-americano, Janet Yellen, nesta terça-feira.

Em forte defesa da atual postura do banco central, Yellen afirmou que sinais iniciais de aceleração da inflação não são suficientes para o Fed acelerar seus planos de elevar a taxa de juros, medida atualmente esperada para meados do próximo ano.

Isso poderia mudar, com a taxa de juros subindo mais cedo e mais rápido, se dados mostrarem o mercado de trabalho melhorando com mais velocidade do que o esperado, disse ela. Mas como está, "embora a economia continue melhorando, a recuperação ainda não está completa", disse Yellen em depoimento semestral diante do Comitê Bancário do Senado, repetindo seu foco na lenta participação da força de trabalho e fraco crescimento do salário como importantes para qualquer conclusão sobre a saúde da economia. "Muitos norte-americanos continuam desempregados", disse Yellen. Ela apresentou ampla visão sobre a economia ainda em transição após a crise econômica de 2007/2009. Em relatório acompanhando suas declarações, o Fed informou que seu balanço patrimonial vai atingir o máximo de 4,5 trilhões de dólares quando seu programa de compra de títulos acabar em outubro, sinal de quanto estímulo o banco central tem tido que liberar para sustentar a economia. Yellen afirmou ainda que a economia continua gerando empregos e crescimento estável. Mas afirmou que as autoridades do Fed atualmente esperam que sua medida preferida de inflação fique entre 1,5 e 1,75 por cento para 2014, abaixo da meta de 2 por cento. O mercado imobiliário continua fraco, disse Yellen, e o investimento empresarial abaixo do esperado.

(Por Howard Schneider e Michael Flaherty)

 
Chair do Federal Reserve Bank dos EUA, Janet Yellen, durante audiência pública no Senado norte-americano, em Washington. 15/06/2014. REUTERS/Kevin Lamarque