15 de Julho de 2014 / às 16:58 / em 3 anos

Yellen diz que recuperação dos EUA está incompleta e defende política monetária frouxa

WASHINGTON (Reuters) - A recuperação econômica dos Estados Unidos continua incompleta, com o mercado de trabalho ainda abalado e salários estagnados justificando a política monetária frouxa no horizonte relevante, afirmou a chair do Federal Reserve, banco central norte-americano, Janet Yellen, nesta terça-feira.

Em forte defesa da atual postura do banco central, Yellen afirmou que sinais iniciais de aceleração da inflação não são suficientes para o Fed acelerar seus planos de elevar a taxa de juros, medida atualmente esperada para meados do próximo ano.

Isso poderia mudar, com a taxa de juros subindo mais cedo e mais rápido, se dados mostrarem o mercado de trabalho melhorando com mais velocidade do que o esperado, disse ela. Mas como está, “embora a economia continue melhorando, a recuperação ainda não está completa”, disse Yellen em depoimento semestral diante do Comitê Bancário do Senado, repetindo seu foco na lenta participação da força de trabalho e fraco crescimento do salário como importantes para qualquer conclusão sobre a saúde da economia. “Muitos norte-americanos continuam desempregados”, disse Yellen.

As bolsas norte-americanas recuavam nesta sessão, reagindo às declarações de Yellen e ao relatório de política monetária do Fed, com as ações de biotecnologia e de mídia social particularmente afetadas depois de terem sido destacadas no documento por seus preços “esticados”.

“Estes são os subsetores que têm levado vários observadores a coçarem suas cabeças. Essas empresas têm relativamente pouco lucro, especialmente na área de biotecnologia”, disse Kim Forrest analista sênior de pesquisa de ações da Fort Pitt Capital Group.

“Espero que ela (Yellen) não esteja surpresa com o que o mercado está fazendo. Eu diria que ela gostaria de esvaziar estas bolhas com um pouco de conversa.”

Em geral, no entanto, o relatório diz que os preços atuais dos ativos permanecem em linha com “padrões históricos.”

RELATIVAMENTE OTIMISTAYellen apresentou ampla visão sobre uma economia ainda em transição após a crise econômica de 2007/2009. Em relatório acompanhando suas declarações, o Fed informou que seu balanço patrimonial vai atingir o máximo de 4,5 trilhões de dólares quando seu programa de compra de títulos acabar em outubro, sinal de quanto estímulo o banco central tem tido que liberar para sustentar a economia.

Com outros 2,6 trilhões de dólares mantidos em reserva por parte dos bancos, o relatório informou que “não será factível” para o Fed contar com suas tradicionais taxas (“Fed Funds”) para gerenciar os juros, julgamento implícito no seu recente trabalho sobre novas ferramentas de taxa de juros. Yellen afirmou ainda que a economia continua gerando empregos e crescimento estável. Mas acrescentou que as autoridades do Fed atualmente esperam que sua medida preferida de inflação fique entre 1,5 e 1,75 por cento para 2014, abaixo da meta de 2 por cento. O mercado imobiliário continua fraco, disse Yellen, e o investimento empresarial abaixo do esperado.

Chefes do Fed são obrigados por lei a falar ao Congresso duas vezes por ano sobre a política monetária, e a audiência na terça-feira foi a segunda aparição do tipo de Yellen.

Dados econômicos mantiveram as autoridades do Fed relativamente otimistas de que a economia vai avançar em direção às metas do banco central. Mas há também potencial para uma séria divisão.

Algumas autoridades temem que o Fed esteja perdendo o momento para elevar as taxas. Em seu depoimento preparado, Yellen manteve-se firme ao seu ponto de vista que a baixa participação da força de trabalho e outras estatísticas do mercado de trabalho são a prova de um buraco que precisa ser preenchido pelo forte crescimento do emprego, e não apenas um sinal de mudança demográfica inevitável.

Por enquanto, uma abordagem mais “dovish” impera no banco central, com várias autoridades dizendo que tolerariam inflação acima da meta de 2 por cento por um período, a fim de garantir que o crescimento está no caminho certo, que os salários estão subindo e que tantos trabalhadores quanto possível estão voltando a trabalhar.

Respondendo a perguntas dos membros da comissão, ela disse que seria um “erro” para o Fed adotar uma regra rigorosa para o aumento das taxas de juros, algo defendido por alguns parlamentares e autoridades do Fed.

Por Howard Schneider e Michael Flaherty

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