Queda no preço do milho favorece produção de etanol no interior de MT

sexta-feira, 18 de julho de 2014 15:52 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os atuais preços baixos do milho em Mato Grosso, que preocupam produtores, são boa notícia para uma usina pioneira que produz etanol a partir do cereal, com as margens favoráveis colaborando com os planos de expansão de produção este ano.

A Usimat, que começou a operar em 2012, esmagou 67 mil toneladas de milho em 2013/14 e deverá atingir 100 mil toneladas entre novembro de 2014 e abril de 2015.

A empresa do município de Campos de Júlio também opera com cana, mas é com o cereal que a administração da companhia está mais satisfeita, em função dos custos mais competitivos desta matéria-prima.

"Já estamos recebendo (milho), porque a safra está em andamento, já estamos estocando", disse o gestor da usina, Sérgio Barbieri.

A saca de milho está sendo comprada por 15 reais, entregue na usina (incluindo frete e outros custos). Até 18 reais/saca, o grão é mais lucrativo que a cana, e até 21 reais é viável para a produção do combustível, diz Barbieri.

A unidade foi construída numa região remota, no oeste de Mato Grosso, grande produtora de milho mas distante dos portos e grandes centros consumidores, o que dificulta a logística e pressiona as cotações do grão pago aos agricultores.

Os produtores estão recebendo na fazenda 11 reais por saca de milho naquela região, abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo e com uma queda de 44 por cento em dois meses, devido ao avanço da colheita, segundo cotações apuradas pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

A usina aproveita a época de colheita do milho, quando os preços tradicionalmente ficam pressionados, para fazer suas compras, e depois armazena o produto para processá-lo apenas entre novembro e abril, na entressafra da cana.

Barbieri se orgulha de manter a unidade funcionando 340 dias por ano, contra 210 dias de uma usina que trabalha apenas com cana.   Continuação...