Plataforma da Exxon entra em águas russas em meio ao conflito político

segunda-feira, 21 de julho de 2014 12:48 BRT
 

OSLO (Reuters) - Uma viagem comum, programada há tempos, de uma sonda de perfuração de petróleo em águas do Ártico está se transformando em um grande exercício político, atraindo escrutínio internacional e criando um dilema para a ExxonMobil.

A Exxon, maior petroleira dos Estados Unidos e a mais valiosa do mundo, está levando o equipamento, chamado West Alpha, da Noruega para o Ártico russo. A companhia está na expectativa de uma grande descoberta no Mar de Kara com a parceira russa Rosneft.

A viagem começou logo que os Estados Unidos impuseram sanções mais duras à Rússia, incluindo à Rosneft, por causa da escalada da violência na Ucrânia. Outras sanções são possíveis após a derrubada de um avião Malaysia Airlines no leste da Ucrânia.

A atividade conjunta não significa necessariamente quebrar as últimas sanções, mas a viagem da sonda poderá ser vista como um sinal de que uma importante empresa dos EUA estaria apoiando Moscou.

Os custos de exploração do Ártico podem exceder centenas de milhões de dólares. A campanha de perfuração da Exxon e da Rosneft, portanto, também vai mostrar o quão eficaz poderão ser as últimas sanções que proíbem empresas americanas de firmar dívidas de longo prazo ou ações com a Rosneft.

"É um pouco discordante com a mensagem que o governo dos Estados Unidos está tentando enviar, ter esta perfuração na temporada de verão há muito planejada seguindo em frente agora", disse Elizabeth Rosenberg, diretora do programa de energia do instituto Center for a New American Security e ex-conselheira para sanções do Departamento do Tesouro.

Em uma perspectiva mais ampla, o projeto irá indicar a disposição de grandes companhias de petróleo sobre continuar lidando com a Rússia, mesmo quando o conflito se agrava com o Ocidente.

"Estamos avaliando o impacto das sanções e não há mais nada neste momento", disse Exxon em comentários por e-mail.

Para o Kremlin, o projeto vai se tornar um ato de equilíbrio entre alcançar seus objetivos de aumentar a produção de petróleo e as receitas do governo e o risco de pressionar parceiros estrangeiros para que eles operem contra o regime de sanções.

(Por Balazs Koranyi e Gwladys Fouche)