ENTREVISTA-Abril Educação vê potencial para triplicar operação de idiomas

segunda-feira, 21 de julho de 2014 16:10 BRT
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Abril Educação aposta em uma maior promoção de seus cursos de idiomas entre os alunos de seus sistemas de ensino para impulsionar o crescimento das redes de línguas Wise Up, YouMove e Red Balloon, em uma estratégia que tem potencial para triplicar o número de estudantes deste segmento da companhia.

A iniciativa ganha corpo enquanto a Abril Educação aguarda a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a entrada da Tarpon Investimentos no bloco de controle da companhia, cujos interesses no setor de educação vão de editoras, sistemas de ensino, escolas, cursos preparatórios, idiomas e negócios complementares.

"O desafio de idiomas é de sinergias com os nossos sistemas de ensino. Nós não pensamos em fazer mais nenhum M&A (sigla em inglês para fusões e aquisições). O desafio é levar as nossas marcas para que o ensino de idiomas seja consumido dentro das escolas”, disse à Reuters o presidente da Abril Educação, Mario Ghio Junior, que assumiu a direção da companhia em junho.

Segundo o executivo, esta é uma tendência forte no mercado, sobretudo após a aprovação da "Lei das Domésticas" em 2013, que regulamentou a atividade de empregados domésticos no Brasil, com custos mais altos para as famílias.

Desta forma, segundo o executivo, os pais veem mais vantagem em manter os filhos por mais tempo nas escolas, realizando outras atividades além das aulas regulamentares, para reduzir os gastos com empregados domésticos.

A primeira experiência nesta estratégia foi realizada em um escola de ensino privado na capital paulista e a partir deste semestre será expandida para outras cidades do país, com a inaguração de 10 unidades de ensino de idiomas em escolas.

Os primeiros resultados, segundo o executivo, mostram que de 20 a 30 por cento dos alunos permanecem na escola para fazer curso de inglês. A expectativa é de conversão de 100 colégios por ano ao chamado “projeto in school”.

“Se você imaginar que nós temos por volta de 600 mil alunos de sistemas de ensino na rede privada, se nós conseguíssemos capturar 30 por cento disso nos nossos cursos de inglês, seria praticamente triplicar o tamanho da nossa operação de idiomas”, afirmou Ghio Junior.   Continuação...