Moinhos do Brasil se preparam para comprar mais trigo nos EUA, diz indústria

terça-feira, 22 de julho de 2014 16:53 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Os moinhos de trigo do Brasil preveem volumosas compras do cereal nos Estados Unidos no segundo semestre do ano, apesar da expectativa de uma safra recorde no país, diante de incertezas sobre a oferta da Argentina e da qualidade do produto nacional, disseram representantes da indústria nesta terça-feira.

O Brasil é um dos maiores importadores globais de trigo, e tradicionalmente realiza a maior parte de suas importações no Mercosul.

No entanto, as previsões indicam que as compras brasileiras nos Estados Unidos em 2014 poderão ser novamente elevadas, após importações de atípicas 3 milhões de toneladas em 2013 --no primeiro semestre, as aquisições nacionais somaram 1 milhão de toneladas nos EUA.

Com a manutenção das restrições a exportações na Argentina, tradicional fornecedor do Brasil, as previsões são de que o Brasil compre pelo menos 1 milhão de toneladas adicionais fora do Mercosul, especialmente dos EUA, no segundo semestre. Os maiores volumes serão importados pelos moinhos do Nordeste, mais próximos dos EUA, mas as indústrias do Sudeste também tomarão parte dos carregamentos.

"As importações de trigo extra Mercosul (quase tudo norte-americano) com isenção da TEC (Tarifa Externa Comum) continuam a todo vapor", disse o presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih, acrescentando que o Brasil precisará comprar no segundo semestre, nos EUA, um volume superior à cota de 1 milhão de toneladas isenta de taxa.

O governo brasileiro isentou uma cota de 1 milhão de toneladas extra Mercosul da tarifa de 10 por cento, ao final de junho, com o objetivo de evitar impacto dos custos do trigo na inflação no país.

Mas o prazo para comprar o volume da cota, até 15 de agosto, é curto, e ela não será toda utilizada, segundo as indústrias. "A minha estimativa é (de uso da cota) no máximo 700 mil toneladas", acrescentou Pih, ressaltando que mesmo sem isenção de tarifas as importações do produto norte-americano vão continuar nos próximos meses.

"O trigo mais caro é o trigo que não existe", disse ele, opinando que a commodity no mercado global, que atingiu uma mínima de quatro anos na bolsa de Chicago, atingiu um piso e deverá subir a partir de setembro. "A demanda mundial está em linha com a oferta. Não há muito excesso e qualquer contratempo climático pode causar um stress nos preços."   Continuação...