Agricultores dos EUA apostam em silo bolsa para estocar nova safra

quarta-feira, 23 de julho de 2014 13:04 BRT
 

Por Karl Plume

CHICAGO (Reuters) - À medida que os agricultores dos Estados Unidos forem colhendo uma safra recorde de grãos neste ano, muitos terão uma nova e poderosa ferramenta --bolsas plásticas gigantes de armazenagem-- para ajudá-los a evitar os preços mais baixos dos últimos anos e para ganhar mais controle na hora de negociar com gigantes como a Cargill [CARG.UL].

Cresceu, neste verão nos EUA, a demanda pelos sacos de polietileno branco que podem ter o comprimento de um campo de futebol e pelos equipamentos necessários para enchê-los, de acordo com fabricantes e atacadistas.

Este tipo de bolsa, que no Brasil é conhecida como "silo bag", permite que os agricultores armazenem milhões de bushels de milho e soja por uma fração do custo de silos convencionais, também com muito mais eficiência do que deixar de grãos a céu aberto.

As bolsas, de cerca de 91 metros de comprimento e 10 metros de diâmetro, são comuns em fazendas argentinas, mas, até recentemente, era raro vê-las no Meio-Oeste dos EUA, onde a expansão de grandes silos verticais em geral acompanhou o ritmo do aumento da produção agrícola.

No entanto, com muitos armazéns ainda transbordando com a safra do ano passado no maior exportador de grãos do mundo, os agricultores estão correndo para comprar esses sistemas como uma necessidade prática antes da colheita, e também como uma salvaguarda contra novos atrasos nas ferrovias durante o inverno.

O uso das bolsas de plástico também pode ser um sinal de que os agricultores não irão correr para despejar a produção rapidamente no mercado. Os preços para o milho a ser colhido no outono caíram cerca de 18 por cento até agora este ano, deixando os produtores à espera de uma recuperação.

"Este ano, com os mercados canadense e dos EUA demandando produto, estamos fazendo hora extra e tentando atender os pedidos", disse Jerry Sechler, vice-presidente de vendas da Loftness Specialized Equipment, empresa com sede em Minnesota que introduziu as máquinas de ensacamento nos Estados Unidos em 2008, depois de estudar as operações na Argentina.

Os sistemas também representam a última frente de uma batalha de poder em curso no coração da área rural dos EUA entre os agricultores, que querem controle sobre como e quando vender seus grãos, e grandes tradings como Archer Daniels Midland (ADM) e Bunge, que controlam as principais artérias do comércio.   Continuação...