COLUNA-Medidas do BC agradam bancos, mas não vão aumentar oferta de empréstimos logo

segunda-feira, 28 de julho de 2014 10:22 BRT
 

- (O autor é repórter sênior do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Há algo sintomático na agilidade dos três maiores bancos privados brasileiros em dar boas-vindas às medidas do Banco Central nos compulsórios e nos requerimentos de capital para incentivar maior oferta de crédito, especialmente para consumo.

Nas duas últimas vezes que quis aumento da oferta de empréstimos, após a quebra do Lehman Brothers em 2008 e, em 2012, quando a presidente Dilma Rousseff foi à TV cobrar queda nas taxas dos empréstimos, o governo federal só teve engajamento efetivo de Banco do Brasil (BBAS3.SA: Cotações) e Caixa Econômica Federal.

Mais que isso, episódios fortuitos, como comentários do presidente de um grande banco privado de que as taxas praticadas por BB e Caixa estavam distorcidas, e um relatório da Febraban afirmando que "você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não pode forçá-lo a beber água" foram rebatidos com uma retórica bastante agressiva do Palácio do Planalto.

Desta vez, o que os bancos privados menos querem é enfrentar um governo que é candidato nas pesquisas de intenção de voto a vencer as eleições presidenciais de outubro.

Mesmo que internamente eles considerem equivocado o momento para o BC desmontar parte do aperto macroprudencial adotado em fins de 2010 e um dia após a autoridade monetária ter indicado que não reduzirá a Selic, em meio ao esforço para tentar conter a inflação, que esboça romper a margem de tolerância da meta neste ano.

Mesmo que os bancos privados não planejem abandonar a preferência pelo conservadorismo, tática que os fez crescer a um terço da velocidade de BB, Caixa e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social nos últimos três anos.   Continuação...