Onda de frio e geadas beneficiam trigo do PR e RS

segunda-feira, 28 de julho de 2014 12:03 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A onda de frio registrada no Sul do país neste fim de semana, com ocorrência de geada em várias regiões, foi benéfica para as lavouras de trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul, disseram especialistas nesta segunda-feira.

As áreas atingidas pelo frio intenso, a maioria com trigo ainda em desenvolvimento, não estavam suscetíveis a perdas, o que indica que o país continua na direção de colher uma safra recorde acima de 7 milhões de toneladas.

Uma frente fria provocou temperaturas perto de zero, e em muitas regiões houve, principalmente no sábado, condições para formação de geada, que incluem céu sem nuvens, pouco vento e tempo seco, disseram os institutos de meteorologia Simepar e Metsul.

"No Paraná não teve problema nenhum com frio e geadas. Na região mais fria, o trigo está ainda na fase de desenvolvimento vegetativo, então a geada é boa, ajuda a perfilhar (multiplicar as espigas)", disse o gerente técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra.

Segundo dados da Secretaria de Agricultura do Paraná, cerca de metade das lavouras de trigo do Estado estão em fases mais avançadas, de floração e frutificação, que são suscetíveis a danos pelo frio intenso.

As geadas, no entanto, foram registradas mais ao sul e sudoeste do Estado, onde as lavouras encontram-se nas fases em que o frio é benéfico, destacou Turra.

No Rio Grande do Sul, onde as lavouras foram plantadas ainda mais tarde do que o normal devido a chuvas, o benefício com as baixas temperaturas foi semelhante.

"A planta precisa desse frio. Ele evita doenças, e a planta entra no perfilhamento e aumenta a produção", disse o engenheiro agrônomo Taciano Reginatto, da Cooperativa Tritícola Santa Rosa (Cotrirosa).

O Brasil deverá colher um recorde de 7,4 milhões de toneladas de trigo neste ano, caso se confirmem as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O Paraná deverá ser responsável por 52 por cento e o Rio Grande do Sul por 40 por cento desta produção.

(Por Gustavo Bonato)