Spread e Basileia dificultam repasses em projetos de rodovias, diz Itaú BBA

segunda-feira, 28 de julho de 2014 18:16 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Os bancos brasileiros estão com dificuldade de repassar recursos para projetos de rodovias no âmbito do Programa de Investimentos em Logística (PIL) do governo federal, por pressões ligadas ao custo maior e restrições de Basileia, disse nesta segunda-feira o diretor de Project Finance do Itaú BBA, Alberto Zoffmann

"No repasse para os projetos do PIL, os bancos participaram nos aeroportos, mas estão com dificuldade para participar nas rodovias dado o spread apertado e o conflito com as alocações de capital exigidas pelo regulador em função das regras de Basileia", afirmou o executivo em entrevista no chat Trading Brazil da Thomson Reuters.

Em recente entrevista à Reuters, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse que a escassez de crédito para companhias brasileiras está impedindo que a instituição modere seus desembolsos mais rapidamente neste ano.

"O que é frustrante é que esperávamos poder moderar mais intensamente (os desembolsos de crédito), esperando uma entrada mais firme do setor privado. E isso não está acontecendo", disse.

Zoffmann também observou que o cenário de juros mais elevados acaba afetando indiretamente a estruturação dos projetos, uma vez que sempre há empréstimos-ponte, repasse, fianças e outros ativos ligados ao projeto que tornam mais caro o crédito diminuindo o retorno do acionista.

"Os projetos em que a decisão foi tomada no passado e contam com funding do BNDES não são tão afetados, mas há um aumento dos custos de empréstimo-ponte e mercado de capitais. Somados a um ano de 2015 com cenário mais adverso do lado da inflação e do fiscal, isso pode afetar os projetos que virão mais para frente", avaliou Zoffmann.

Ele contudo disse não acreditar que Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social acelere o crédito este ano bem como aumente os desembolsos em 2015.

"Eles têm dito que os desembolsos para 2014 estarão em linha ou um pouco abaixo dos de 2013. Claro que haverá um impacto para 2015 devido aos lotes de rodovias já licitados que serão suportados pelo BNDES. Mas pode ser que outros setores tenham menos apoio e que uma coisa equilibre a outra", afirmou.   Continuação...