BC de Portugal diz que prejuízo do BES poderá ser remediado com aumento de capital

terça-feira, 29 de julho de 2014 10:53 BRT
 

LISBOA (Reuters) - O banco central de Portugal disse no fim da segunda-feira que se o Banco Espírito Santo registrar um prejuízo maior que seu colchão de capital existente de 2,1 bilhões de euros (2,8 bilhões de dólares), um aumento de capital será utilizado para garantir adequados níveis de solvência.

Mais cedo na segunda, a edição online do jornal Expresso noticiou que o BES deverá anunciar um prejuízo de cerca de 3 bilhões de euros na quarta-feira, depois de ter que assumir obrigações de dívida adicionais ligadas ao conturbado grupo Espírito Santo, da família que o fundou. Funcionários do BES não estavam imediatamente disponíveis para comentar.

Três das holdings da família Espírito Santo, incluindo a ESFG, que detém uma participação de 20 por cento no BES, pediram proteção contra credores neste mês.

"No que diz respeito a relatos da mídia sobre um possível resultado negativo do BES... o Banco de Portugal reitera que se qualquer insuficiência do colchão de capital atual for verificada, o interesse demonstrado por diversas entidades na tomada de uma grande posição no BES indica que uma solução privada para um aumento de capital é factível ", disse o banco central em um esclarecimento enviado por e-mail.

"Como último recurso, se necessário, a linha de recapitalização pública está disponível... em qualquer caso, a solvência do BES e segurança dos fundos confiados ao banco estão garantidas."

O presidente do banco central de Portugal, Carlos Costa, já havia dito que esperava uma entrada de investidores internacionais se o BES, maior banco de Portugal em ativos, precisasse de capital adicional. O BES já levantou 1 bilhão de euros em um aumento de capital concluído em 11 de junho.

As potenciais perdas no BES, que divulgou sua exposição direta às holdings de propriedade familiar em 1,15 bilhão de euros, levaram a uma intensa venda dos papéis do banco nos mercados de ações internacionais mais cedo neste mês.

Também há preocupações sobre o negócio do BES em Angola, o BESA, que tem uma carteira de crédito coberta por uma garantia do Estado angolano até meados de 2015.

(Por Andrei Khalip)