July 29, 2014 / 7:59 PM / 3 years ago

União Europeia irá impor sanções econômicas severas contra a Rússia

5 Min, DE LEITURA

Presidente russo, Vladimir Putin, em foto de arquivo. 15/07/2014Nacho Doce

BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia chegou pela primeira vez nesta terça-feira a um acordo para impor sanções econômicas abrangentes contra a Rússia por conta de seu papel na Ucrânia, disseram diplomatas, marcando uma nova fase no maior confronto entre Moscou e o Ocidente desde a Guerra Fria.

As medidas irão impedir o acesso de bancos estatais russos aos mercados de capitais europeus e atingir os setores de defesa e de tecnologia avançada, incluindo o do petróleo, mas excluem o setor de gás, do qual a Europa é muito dependente.

Ao contrário dos Estados Unidos, a União Europeia, que tem interesses econômicos maiores em jogo, hesitou durante meses em agir de forma decisiva contra Moscou. Mas o clima mudou radicalmente depois da derrubada de um avião civil em uma região ucraniana controlada por separatistas pró-Rússia este mês, causando a morte de todas as 298 pessoas a bordo, incluindo 194 holandeses.

Washington acredita que o voo MH17 foi abatido por engano por rebeldes com um míssil fornecido pela Rússia. Moscou negou qualquer envolvimento e buscou culpar Kiev.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disseram que as sanções são um "forte alerta" de que as ações da Rússia não são aceitáveis e trarão "custos elevados" para sua economia.

"A União Europeia vai cumprir suas obrigações de proteger e garantir a segurança de seus cidadãos. E a União Europeia vai ficar ao lado de seus vizinhos e parceiros", disseram os dois altos funcionários da UE em comunicado.

Vários diplomatas europeus, falando sob condição de anonimato, disseram que as sanções podem ser ampliadas se for necessário.

Os embaixadores europeus firmaram o acordo em meio a combates intensos entre tropas ucranianas e rebeldes no leste da Ucrânia que mataram dezenas de civis, soldados e separatistas.

O acordo deve ser finalizado na quarta-feira, e as medidas publicadas no Jornal Oficial do bloco de 28 nações.

O ministro das Relações Exteriores da Holanda, Frans Timmermans, que comoveu seus colegas da UE ao clamar por justiça na semana passada, afirmou que as restrições aos mercados de capitais “terão um efeito de largo alcance e imediato”.

A princípio as sanções irão durar um ano, mas serão analisadas após três meses, em 31 de outubro, para se determinar sua eficácia, declararam diplomatas.

O acordo, que não precisa ser endossado em reunião de cúpula especial da UE, vem na esteira de um acordo entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e líderes de Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália na segunda-feira para ampliar as sanções contra Moscou.

Anteriormente, Washington e Bruxelas impuseram sanções contra indivíduos específicos por conta das ações de Moscou em relação à Ucrânia, mas a UE em particular vinha se esquivando de medidas destinadas a ferir setores vitais para a economia russa, por preocupações com a repercussão para as economias do bloco.

O comércio da União Europeia com a Rússia é 10 vezes maior do que o dos Estados Unidos, e o grupo depende em especial do gás natural russo para abastecer sua indústria e cidades.

Alguns países membros estão preocupados com o risco para suas próprias economias, e os líderes da UE se esforçaram para estabelecer um equilíbrio entre infligir dor na Rússia e prevenir que economias europeias frágeis voltem à recessão.

Em uma carta a líderes da UE na semana passada, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que o pacote de sanções proposto “deve ter um forte impacto econômico na economia russa, mas um efeito moderado nas economias do bloco”.

Provavelmente a medida de maior impacto entre as sanções é a proibição de que europeus comprem novos títulos ou ações emitidos por bancos com 50 por cento ou mais de capital estatal russo, o que analistas dizem que irá afetar a capacidade das instituições de financiar a economia.

Além das medidas econômicas, os embaixadores também aprovaram uma nova lista de associados do presidente russo, Vladimir Putin, e empresas que enfrentarão congelamento de bens e proibição de viagens. A lista deve ser divulgada na quarta-feira.

  (Reportagem adicional de Tom Koerkemeier, Julia Fioretti e Martin Santa)

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