Campos defende responsabilidade com fundamentos econômicos e independência do BC

quarta-feira, 30 de julho de 2014 13:53 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, afirmou nesta quarta-feira que o país precisa ter responsabilidade com os fundamentos macroeconômicos e defendeu a independência do Banco Central como forma de recuperar a confiança de investidores no Brasil.

Campos, terceiro colocado nas pesquisas recentes sobre a corrida ao Palácio do Planalto, disse ainda, durante apresentação a empresários em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que é necessária a criação de um Conselho Nacional de Responsabilidade Fiscal, afirmando que as contas públicas não podem ser “escondidas” ou “maquiadas”.

“Nós precisamos passar segurança para o mundo e para o Brasil, de uma governança macroeconômica que tenha responsabilidade com os fundamentos, que não faça política de curto prazo, que valorize o longo prazo, o planejamento, que valorize o contrato, que dê segurança aos que querem investir”, disse o candidato.

“Quando alguém do Partido Socialista Brasileiro diz que defende o Banco Central independente, é porque o Brasil precisa desse gesto para recuperar o crédito que o Brasil perdeu no mundo nesses últimos anos.”

O ex-governador de Pernambuco voltou a prometer ainda que enviará uma proposta de reforma tributária ao Congresso na primeira semana de um eventual governo, afirmando que as primeiras medidas a serem tomadas vão mirar na cumulatividade do PIS e Cofins, de forma a diminuir os custos para a produção, e ainda a cobrança do ICMS.

Ponderou, no entanto, que as novas regras tributárias deverão ser implementadas de maneira gradativa, para não criar um clima de insegurança. “Vamos ter a visão clara de que ela não pode ser implementada imediatamente... Precisa entrar em etapas para dar segurança”, disse.

O candidato afirmou ser necessária ainda a discussão de um marco regulatório da terceirização, além de defender um processo de negociações tripartite. Ele criticou o custo da folha de pagamento, mas negou a possibilidade de diminuição dos direitos trabalhistas.

Na área de investimentos em infraestrutura, Campos defendeu a construção de um ambiente propício para a retomada de investimentos externos. Segundo o socialista, o financiamento do setor não pode ficar mais sob a responsabilidade apenas do Tesouro e de bancos públicos.

“Nós precisamos da regulação segura, de um ambiente macroeconômico diferente do que existe e precisamos mostrar que é possível também financiar infraestrutura não só no BNDES. Porque o Tesouro Nacional, as contas públicas, não aguentam fazer um financiamento nesta proporção que estamos colocando”, declarou.   Continuação...

 
Candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, durante entrevista à Reuters em São Paulo. 17/04/2014. REUTERS/Nacho Doce