Fed avança com cortes em compras de títulos e cita inflação mais alta

quarta-feira, 30 de julho de 2014 16:14 BRT
 

Por Michael Flaherty e Jason Lange

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deu mais um passo nesta quarta-feira em seu plano de redução do estímulo de compra de títulos e melhorou sua avaliação da economia norte-americana, enquanto reafirmou que não tem pressa para aumentar os juros.

O Fed reduziu as aquisições mensais de ativos para 25 bilhões de dólares, ante 35 bilhões de dólares, mantendo-se em vias de encerrar o programa neste outono (no hemisfério norte).

O banco central reiterou que provavelmente vai manter as taxas de juros perto de zero por um "horizonte relevante" após o fim das compras de títulos e repetindo que a política monetária expansionista é necessária.

O Fed tem mantido as taxas de juros overnight perto de zero desde dezembro de 2008 e mais do que quadruplicou seu balanço patrimonial para 4,4 trilhões de dólares por meio de uma série de programas de compras de títulos. Mas o banco central citou melhora nas condições do mercado de trabalho e queda no desemprego, além de reconhecer o avanço da inflação. "A inflação se moveu para um pouco mais perto do objetivo de longo prazo do Comitê", informou o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) após reunião de dois dias. Essa linguagem foi diferente da do último comunicado, sugerindo que o Fed está prestando mais atenção aos riscos inflacionários. O governo informou nesta quarta-feira que a economia dos EUA cresceu 4,0 por cento em ritmo anual no segundo trimestre, o que provavelmente amplificou o debate dentro do Fed sobre quando os juros devem subir. Algumas autoridades do Fed têm mostrado preocupação com a possibilidade de que o banco central esteja mantendo taxas de juros baixas por tempo demais e alimentando nível indesejável de inflação. Outros, incluindo a chair do Fed, Janet Yellen, têm argumentado que ainda há considerável capacidade ociosa na economia e estão cautelosos sobre agir cedo demais. "As coisas que eles nos dizem estar observando, como inflação e salários, ainda não estão gritando 'perigo!'", disse o economista-chefe da Pierpont Securities, Stephen Stanley, antes do anúncio do Fed.

Embora Yellen acredite que a taxa de desemprego de 6,1 por cento do país superestime a saúde do mercado de trabalho, ela alertou neste mês que um aumento de juros poderia vir "mais cedo e ser mais rápido" que o esperado se os mercados de trabalho continuarem a melhorar mais rapidamente do que o antecipado. A processadora de folhas de pagamento ADP informou nesta quarta-feira que companhias dos EUA contrataram 218 mil funcionários em julho, ritmo sólido mas levemente abaixo das projeções de economistas.O relatório mais amplo a ser divulgado na sexta-feira deve mostrar que o número de postos de trabalho fora do setor agrícola aumentou em 233 mil em julho, o que marcaria o sexto mês consecutivo de criação de mais de 200 mil vagas. Após leitura mais forte do que o esperado sobre o emprego neste mês, a projeção mediana de economistas consultados pela Reuters prevê o primeiro aumento dos juros no segundo trimestre do ano que vem. Antes, era o terceiro. A previsão está em linha com o que mostram os contratos futuros de taxas de juros, que embutem alta em junho de 2015 --expectativa que se manteve diante da leitura mais forte que a esperada sobre o crescimento da economia dos EUA no segundo trimestre.

 
Chair do Fed, Janet Yellen, em comissão do Congresso dos EUA. 16/07/2014 REUTERS/Kevin Lamarque