Governo central tem pior déficit primário para junho, de R$1,946 bi

quarta-feira, 30 de julho de 2014 15:45 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo central (governo federal, Banco Central e Previdência Social) registrou déficit primário de 1,946 bilhão de reais em junho, o pior resultado para esses meses, influenciado pelo mau resultado da Previdência e que aumenta ainda mais a dificuldade para chegar à meta do ano.

Nos seis primeiros meses do ano, a economia feita para o pagamento de juros acumulou saldo positivo de 17,238 bilhões de reais, metade do valor visto em igual período do ano passado, informou nesta quarta-feira o Tesouro Nacional.

Um dos fatores para o rombo em junho foi a conta negativa da Previdência Social, que no mês passado ficou em 4,508 bilhões de reais, 16,2 por cento a mais do que o saldo negativo registrado em igual mês do ano passado.

Em junho, as receitas líquidas do governo central somaram 78,461 bilhões de reais, quase 15 por cento a mais frente a maio, somando no ano 491,202 bilhões de reais. Neste caso, o crescimento foi de 6,1 por cento sobre o primeiro semestre de 2013.

No mês passado, as receitas foram ajudadas pelo recebimento de 1,479 bilhão de reais em dividendos de estatais, muito acima dos 780 milhões de reais vistos em maio. Só o BNDES arcou com 932 milhões de reais em junho.

O Tesouro informou ainda que as despesas somaram 80,407 bilhões de reais em junho, com alta de 2 por cento em comparação ao mês anterior. Nos seis primeiros meses do ano, elas somam 473,964 bilhões de reais, 10,6 por cento a mais do que igual período de 2013. O resultado ruim mostra que as contas públicas seguem influenciadas pela economia fraca, o que tem levado o governo a recorrer às receitas extraordinárias para tentar fechar suas contas. Neste ano, a projeção é de que elas somarão 31,6 bilhões de reais. Também têm pesado neste ano as fortes desonerações tributárias que, no semestre passado, somaram cerca de 51 bilhões de reais, quase 45 por cento a mais do que em igual período de 2013. Neste ano, a meta de superávit primário do setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais) é de 99 bilhões de reais, equivalente a 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Em recente entrevista à Reuters, uma fonte da equipe econômica disse que se a arrecadação não melhorar o governo pode ter que buscar "novas fontes" para fechar as contas e cumprir a meta de superávit primário. Economistas de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central na pesquisa Focus veem que o PIB do Brasil crescerá 0,90 por cento, muito aquém dos 2,5 por cento vistos em 2013.

(Por Luciana Otoni)