Argentina não chega a acordo sobre dívida em prazo limite para default

quarta-feira, 30 de julho de 2014 20:48 BRT
 

BUENOS AIRES/NOVA YORK (Reuters) - A Argentina não conseguiu chegar a um acordo nesta quarta-feira para evitar o segundo calote da dívida em 12 anos, após dois dias de negociações com os credores que exigem pagamento integral da dívida, os chamados "holdouts".

Depois de se reunir por horas com o mediador designado para o caso, o ministro da Economia argentino, Axel Kicillof, disse que os credores que rejeitaram a troca dos bônus, e que agora demandam o pagamento total da dívida, não aceitaram o pedido argentino de uma medida cautelar para permitir que o país honre os compromissos de sua dívida reestruturada e evite um novo calote.

"Os prospectos dos bônus (trocados) especificam quando se incorre em default e esta situação não está aí, não existe porque é insólita, é novidade absoluta", ressaltou o ministro em entrevista coletiva no consulado argentino em Nova York.

A Argentina depositou 539 milhões de dólares no fim de junho para pagar um vencimento da dívida reestruturada, mas os recursos caíram em um limbo legal por uma ordem do juiz distrital dos Estados Unidos Thomas Griesa, que proibiu o país de pagar esses credores se não pagasse também os "holdouts".

O período de carência para o pagamento expira à meia-noite desta quarta-feira em Nova York (23h em Brasília). Kicillof disse que tendo em vista que a Argentina fez o depósito, tecnicamente não se encontra em default, e que o país seguirá pagando os próximos vencimentos da dívida.

O ministro voltará à Argentina na noite desta quarta-feira, mas disse que não se surpreenderia se fosse alcançado um acordo privado entre as partes mediante a intervenção de banqueiros argentinos, já que eles têm interesses em jogo e poderiam sofrer em caso de calote.

(Por Maximiliano Rizzi e Dan Burns)

 
O ministro da Economia argentina, Axel Kicillof, fala a repórteres no consulado da Argentina, em Nova York, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira. 30/07/2014 REUTERS/Carlo Allegri