Argentina não chega a acordo sobre dívida e default é iminente

quarta-feira, 30 de julho de 2014 22:22 BRT
 

NOVA YORK/BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina não conseguiu chegar a um acordo nesta quarta-feira para evitar o segundo calote da dívida em mais de 12 anos, após dois dias de negociações com os credores que exigem pagamento integral da dívida, os chamados "holdouts".

O ministro da Economia, Axel Kicillof, falando em entrevista coletiva à imprensa no consulado da Argentina, em Nova York, se referiu repetidamente aos "holdouts" como "abutres".

Um plano de última hora para que bancos privados argentinos comprassem a dívida em default detida pelos fundos de hedge também fracassou nesta quarta-feira, disse um executivo do setor bancário e uma segunda fonte do mercado financeiro.

"Desabou tudo", disse.

Kicillof havia feito referência a um potencial acordo do setor privado, antes das notícias de que essas negociações também tinham fracassado.

"Infelizmente, nenhum acordo foi alcançado e a República Argentina estará iminentemente em default", disse o mediador do caso apontado por uma corte norte-americana, Daniel Pollack, em um comunicado na noite desta quarta-feira.

O default resulta do fracasso da Argentina de cumprir uma ordem judicial para pagar os "holdouts" ao mesmo tempo em que pagar os 539 milhões de dólares àqueles credores que aceitaram receber uma remuneração menor quando a dívida foi duas vezes reestruturada.

Depois do default de 2002, a Argentina reestruturou sua dívida em 2005 e 2010. Mais de 90 por cento dos detentores de bônus concordaram em aceitar novos títulos com pagamentos reduzidos. Os "holdouts" recusaram os termos e o juiz distrital dos EUA Thomas Griesa atribuiu o pagamento integral de 1,33 bilhão de dólares a eles.

Depois de se reunir por horas com Pollack nesta quarta-feira, o ministro argentino disse que os credores que rejeitaram a troca dos bônus, e que agora demandam o pagamento total da dívida, não aceitaram o pedido argentino de uma medida cautelar para permitir que o país honre os compromissos de sua dívida reestruturada e evite um novo calote.   Continuação...

 
O ministro da Economia argentina, Axel Kicillof, fala a repórteres no consulado da Argentina, em Nova York, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira. 30/07/2014 REUTERS/Carlo Allegri