Argentina entra em default pela 2ª vez em 12 anos e espera reação do mercado

quinta-feira, 31 de julho de 2014 09:27 BRT
 

Por Sarah Marsh

BEUNOS AIRES (Reuters) - A Argentina entrou em default pela segunda vez em 12 anos depois que acabaram as esperanças de um acordo de última hora com os credores chamados de "holdouts", preparando o caminho para que os preços de ações e bônus argentinos desabem nesta quinta-feira e aumentando as chances de que a recessão seja ainda mais forte neste ano.

Depois de sete horas de reuniões em Nova York, o ministro argentino da Economia, Axel Kicillof, disse que os credores "holdouts" --liderados pelos fundos NML e Aurelius-- rejeitaram de novo a oferta de aderirem à troca com as mesmas condições que os credores reestruturados.

Kicillof acrescentou que tampouco aceitaram o pedido da Argentina para que peçam à Justiça que suspenda a ordem que impede ao país pagar sua dívida externa se não fizer o mesmo com os "holdouts".

"Oferecemos a eles que entrassem em uma troca imediatamente, mas querem ganhos muito maiores se puderem obtê-los. O que queriam era algo impossível para o Estado", disse o ministro em entrevista à imprensa no consulado argentino em Nova York.

O mediador judicial Daniel Pollack, que intercedeu nas cinco reuniões realizadas pelas duas partes desde o início do mês, afirmou em comunicado: "A República da Argentina iminentemente estará em default".

"Não é uma mera condição técnica, mas um evento real e doloroso que prejudicará o povo", afirmou. "O cidadão comum argentino será a vítima real e final."

Mesmo um curto default elevará os custos de financiamento das empresas, aumentará as pressões sobre o peso, drenará recursos das reservas internacionais e alimentará uma das taxas de inflação mais altas do mundo.

"Vai complicar a vida para empresas como a YPF, que vão buscar financiamento no exterior", disse o ex-presidente do banco central argentino Camilo Tiscornia. A empresa energética controlada pelo Estado YPF precisa de recursos para desenvolver a formação de xisto de Vaca Muerta.   Continuação...

 
Ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, durante coletiva de imprensa no consulado argentino em Nova York. 30/07/2014. REUTERS/Carlo Allegri