Argentina entra em default mas investidores veem acordo possível

quinta-feira, 31 de julho de 2014 12:25 BRT
 

Por Sarah Marsh e Richard Lough

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina entrou em default pela segunda vez em 12 anos depois que fracassaram as conversas de última hora com os credores chamados de "abutres" pelo país, e agora as atenções se voltam para se grandes bancos e fundos vão solicitar a declaração de "evento de crédito".

Após uma longa batalha legal com hedge funds que rejeitaram a reestruturação da dívida argentina depois do default de 2002, a terceira maior economia da América Latina não conseguiu chegar a um acordo a tempo de atender ao prazo final para pagamento.

O chefe de Gabinete da Argentina, Jorge Capitanich, criticou o mediador Daniel Pollack, nomeado pelo tribunal dos Estados Unidos, chamando-o de "incompetente". Capitanich incentivou detentores de títulos de dívida reestruturada a exigirem seu dinheiro do juiz norte-americano que bloqueou um pagamento em 30 de junho, levando ao default.

A Associação Internacional de Swaps e Derivativos (Isda, na sigla em inglês) informou nesta quinta-feira que recebeu o primeiro pedido para avaliar se um evento de crédito ocorreu, segundo a página da associação na internet.

O banco suíço UBS pediu ao comitê de determinações da Isda que avalie se um evento de crédito de "falha em pagar" ocorreu, citando um prazo não cumprido para entregar pagamentos de juros para credores.

Caso o pedido seja aceito, o comitê de 15 membros votará sobre se um pagamento dos contratos credit default swas (CDS) da Argentina pode ser disparado. O comitê pode se reunir e chegar a uma decisão já a partir de sexta-feira, dizem participantes do mercado, embora o processo possa demorar mais.

Qualquer decisão de que um evento de crédito aconteceu dispararia uma série de pagamentos de seguros e daria à maioria dos atuais credores da Argentina o direito de exigir seu dinheiro de volta imediatamente. O prazo é 4 de agosto, segundo analistas.

O Credit Suissie disse anteriormente que os CDS "provavelmente serão disparados".   Continuação...