Brasil tem 1º déficit primário de junho e coloca meta do ano mais distante

quinta-feira, 31 de julho de 2014 13:41 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público brasileiro registrou déficit primário de 2,1 bilhões de reais em junho, o primeiro resultado negativo para esses meses, empurrando para ainda mais longe o cumprimento da meta fiscal para o ano.

Em 12 meses até junho, a economia feita para pagamento de juros foi equivalente a 1,36 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central nesta quinta-feira. A meta de superávit primário de 2014 é de 99 bilhões de reais, equivalente a 1,9 por cento do PIB.

Com isso, o setor público --governo central (governo federal, BC e INSS), Estados, municípios e estatais-- fechou o período entre janeiro e junho com superávit primário de 29,380 bilhões de reais, quase 45 por cento a menos da cifra vista em igual período de 2013. Esse é o pior resultado para o primeiro semestre da série das contas públicas, iniciada em 2001.

Só no mês passado, o governo central apresentou déficit primário de 2,732 bilhões de reais, com destaque para o saldo negativo de 1,593 bilhão de reais do governo federal. O desempenho foi abalado pela menor arrecadação, entre outros, diante da pior performance da atividade econômica.

O BC informou ainda que os governos regionais apresentaram superávit primário de 113 milhões de reais em junho, enquanto as estatais federais fizeram economia de 518 milhões de reais.

"O resultado de junho também reflete, em parte, a moderação de atividade e aumento de alguns itens de despesas, como o investimento", afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Só em maio e junho passados, o setor público registrou déficit primário de 13,146 bilhões de reais, o que "torna o atingimento da meta (do ano) mais distante e difícil e exigirá maior esforço do governo em obtê-la", acrescentou Maciel. "Não significa que não seja possível atingi-la. O Tesouro trabalha para isso".

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Moedas de real fotografadas no Rio de Janeiro. 15/10/2010. REUTERS/Bruno Domingos