Vale confia na China, mas foca na capacidade de ganhar margem

quinta-feira, 31 de julho de 2014 18:03 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Vale, maior produtora global de minério de ferro, avalia que a demanda da China será maior no segundo semestre, mas prevê um período de preços menos "exuberantes" para a matéria-prima do aço, e assim manterá forte foco em elevar margens diante do crescimento da oferta global da commodity.

"Historicamente o segundo semestre da China é melhor", disse nesta quinta-feira o diretor-executivo de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, durante conferência com analistas sobre resultados do segundo trimestre, divulgados mais cedo.

O executivo destacou que o governo da China, maior importador de minério de ferro do mundo e de produtos da Vale, costuma fazer movimentos na segunda metade do ano para cumprir metas para a economia chinesa, como liberação de crédito.

"Estamos otimistas com relação a China, eles têm mostrado capacidade muito grande de manter a economia com vigor apesar das expectativas negativas que a gente tem assistido", declarou.

A expectativa para os preços do minério de ferro no segundo semestre também é de melhora em relação ao que foi observado até agora neste ano. Em junho, o minério caiu para uma mínima de 21 meses, de acordo com o Steel Index.

Os preços do minério de ferro tiveram o segundo ganho mensal consecutivo em julho, em meio à demanda sustentada da China, embora o insumo para a fabricação de aço ainda não tenha se afastado de forma consistente das mínimas de 21 meses.

Segundo Martins, o preço sofreu forte impacto de uma oferta excessiva de minério de ferro entre janeiro e junho deste ano, mas que em grande parte já foi absorvida.

"Fomos surpreendidos pelo aumento da oferta de minério muito maior que a gente esperava", disse Martins.

A Vale calcula que a oferta global de minério de ferro vai crescer em cerca de 50 milhões de toneladas no segundo semestre, ante aumento de 90 milhões de toneladas no primeiro.   Continuação...