Indústria teme gastar US$1 bi ao ano com eventual fim de incentivo ao gás, diz Firjan

segunda-feira, 4 de agosto de 2014 17:46 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As indústrias brasileiras terão que pagar pelo menos 1 bilhão de dólares por ano a mais pelo gás natural que consomem caso a Petrobras retire totalmente descontos concedidos ao combustível no mercado doméstico desde 2011, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Desde setembro do ano passado até agora, a Petrobras já reajustou em 6,5 por cento o preço médio do gás natural nacional para uso não termelétrico, segundo a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).

Os reajustes ocorrem depois de a Petrobras ter adotado, em 2011, uma política de incentivo ao consumo do gás produzido no país que, ao dar descontos nos contratos de venda às distribuidoras, evitava a escalada de preços do combustível.

"Esse incentivo é tão crucial que mesmo com ele o preço já é muito alto", disse à Reuters o gerente de competitividade industrial e investimentos do Sistema Firjan, Cristiano Prado.

O especialista destacou que o preço médio do gás natural consumido pela indústria brasileira em maio foi de 17,45 dólares por milhão de BTU (sigla em inglês para unidade térmica britânica), enquanto que nos Estados Unidos o preço era quase 70 por cento mais baixo, a 5,62 dólares.

A alta do insumo no Brasil ocorre em um momento em que ausência de reajustes dos preços do diesel e da gasolina pressiona fortemente os resultados financeiros da Petrobras.

O cenário aumenta o temor da indústria de que a estatal faça uma retirada completa dos descontos.

"Se tirasse todo o desconto, passaria de 17,45 dólares para 20,37 dólares por milhão de BTU", disse o especialista.   Continuação...