Economia da Argentina deve encolher em 2014, diz chefe da Cepal

segunda-feira, 4 de agosto de 2014 20:39 BRT
 

SANTIAGO (Reuters) - A economia da Argentina muito provavelmente encolherá neste ano pela primeira vez em mais de uma década, pressionada por um consumo menor, inflação elevada e os efeitos do fracasso das negociações entre o governo e seus credores sobre a dívida, disse nesta segunda-feira a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena.

A chefe da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), organismo dependente da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou à Reuters que a Argentina tomou medidas, como elevar as taxas de juros e conter o agregado monetário, para desligar os "motores do consumo".

Além disso, também há o menor dinamismo da sua indústria afetada pela queda da demanda do Brasil, um dos seus principais consumidores.

A última vez que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino caiu foi em 2002, quando recuou 10,9 por cento, em meio a uma forte crise que levou a um calote bilionário. Analistas consultados pela Reuters esperam que o PIB recue 1 por cento neste ano.

A Cepal já reduziu a sua estimativa de crescimento do PIB da Argentina para 0,2 por cento em 2014, ante estimativa inicial de alta de 1 por cento, mas "nossa projeção não é adequada. Nós a fizemos em julho. Realmente a situação hoje em dia é completamente diferente", disse Bárcena.

"Nos acreditamos que o mais provável é que a Argentina tenha crescimento negativo em 2014", acrescentou. A Cepal projeta crescimento da América Latina no ano de 2,2 por cento.

DEFAULT OU LITÍGIO

Agências de classificação de risco disseram que a Argentina entrou em default seletivo na quarta-feira passada, quando venceu o período de graça para o pagamento de um bônus, o que contribui para que a terceira economia da América Latina fique fora dos mercados internacionais de dívida.   Continuação...