Uso da capacidade instalada na indústria cai ao menor nível desde 2009 em junho

terça-feira, 5 de agosto de 2014 13:46 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A utilização da capacidade instalada na indústria brasileira caiu a 80,1 por cento em junho em dados dessasonalizados e atingiu o menor nível desde abril de 2009, destacando a fase negativa vivida pelo setor.

Em maio, a capacidade instalada havia atingido 80,6 por cento, informou nesta terça-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI), acrescentando que o faturamento real dessazonalizado da indústria caiu 5,7 por cento em junho frente ao mês anterior.

As horas trabalhadas na produção diminuíram 3 por cento em junho na comparação com o mês anterior. Já o emprego retrocedeu em 0,5 por cento, enquanto a massa salarial recuou 0,8 por cento, ambos marcando o quarto mês seguido de perdas.

Segundo a CNI, a retração desses indicadores no mês é explicada em parte pela Copa do Mundo realizada no país em junho e julho, diante de interrupções da jornada de trabalho e queda nas vendas.

"Sem dúvida a Copa do Mundo tem algum efeito nos números mais fortes de retração da atividade. Todos os indicadores aprofundaram a tendência de queda no mês de junho", disse o gerente-executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

Mas, ainda na comparação mensal, o rendimento médio real teve alta de 0,1 por cento, o que interrompeu três meses seguidos de queda.

No acumulado do primeiro semestre, o faturamento do setor industrial recuou 1 por cento frente a igual período de 2013, enquanto as horas trabalhadas na produção caíram 2,2 por cento.

Já o emprego industrial acumulou alta de 0,9 por cento entre janeiro e junho ante os seis primeiros meses de 2013, enquanto a massa salarial avançou 3,8 por cento, segundo a CNI.

A produção industrial brasileira medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) recuou 1,4 por cento em junho, marcando o quarto mês seguido de queda na pior série de perdas desde 2010. Os indicadores fracos e a dificuldade da indústria em reagir levaram recentemente a CNI a piorar suas estimativas econômicas, prevendo para este ano retração de 0,5 por cento para a indústria. Em 2013, a indústria havia crescido 1,7 por cento.   Continuação...

 
Operário trabalha em linha de montagem da Ford em São Bernardo do Campo, São Paulo. 13/08/2013. REUTERS/Nacho Doce