ESPECIAL-Documentos sugerem que empresas estrangeiras auxiliaram ditadura no Brasil

terça-feira, 5 de agosto de 2014 13:14 BRT
 

- Para ver a versão em inglês da reportagem com fotos e imagens dos documentos, clique em reut.rs/1qNtXyP -

Por Brian Winter

SÃO PAULO (Reuters) - Quando João Paulo de Oliveira foi demitido em 1980 pela Rapistan, um fabricante de esteiras transportadoras com sede em Michigan, nos Estados Unidos, seus problemas estavam apenas começando.

Nos anos seguintes, a ditadura militar no Brasil prendeu ou deteve Oliveira por cerca de 10 vezes. Carros de polícia passavam por sua casa nos subúrbios industriais de São Paulo, disse ele, e os oficiais faziam gestos intimidadores ou apontavam armas em sua direção.

     O crime aparente de Oliveira: ser um sindicalista durante uma época em que os militares consideravam greves como subversão comunista.

     "Eu costumava brincar que a minha casa era a mais segura no bairro com tanta polícia por perto", disse Oliveira, hoje com 63 anos. "Mas era difícil, realmente assustador, como uma tortura psicológica."

     Pior, disse ele, outras fabricantes locais se recusaram a contratá-lo por muitos anos depois, vagamente citando seu passado. Outros colegas tiveram o mesmo destino. "Nós sempre suspeitamos que as empresas estavam passando informações sobre nós para a polícia", afirmou. "Mas nunca soubemos com certeza."

     Evidências recentemente descobertas sugerem que as suspeitas de Oliveira eram bem fundamentadas.   Continuação...

 
Página da chamada "lista negra". Ao lado dos nomes dos funcionários, está escrito à mão o número ou o nome do departamento em que eles trabalhavam. João Paulo de Oliveira, por exemplo, trabalhava na "Produção". REUTERS/Brian Winter