Dólar sobe quase 1% e se aproxima de R$2,30, com Ucrânia, China e EUA

terça-feira, 5 de agosto de 2014 17:31 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu quase 1 por cento nesta quinta-feira, aproximando-se de 2,30 reais, catapultado por preocupações com a crise na Ucrânia, com a economia chinesa e com eventual alta dos juros nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana avançou 0,89 por cento, a 2,2827 reais na venda, tendo batido 2,2875 reais na máxima da sessão. A divisa não terminava o dia tão fortalecida desde 4 de junho, quando ficou em 2,2836 reais.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,5 bilhão de dólares, acima da média diária do mês passado, de 1,2 bilhão de dólares.

Com exceção de alguns minutos logo após a abertura dos negócios, o dólar passou todo o dia em alta, acelerando o avanço durante a tarde. Operadores atribuíram o movimento a declarações do chanceler da Polônia, Radoslaw Sikorski, à emissora TVN24 de que a Rússia juntou forças militares na fronteira com a Ucrânia para colocar pressão sobre o país vizinho ou invadi-lo.

A crise geopolítica entre Kiev e Moscou já levou os Estados Unidos e a União Europeia a imporem sanções contra a Rússia e investidores temem que a escalada do conflito se traduza em punições ainda mais duras.

"De novo, essa história de possível invasão da Ucrânia pela Rússia está causando rebuliços em todo o mundo. Foi a cereja do bolo num dia de clara valorização do dólar", afirmou o economista da área de análise da XP Investimentos, Daniel Cunha.

A moeda norte-americana também subia cerca de 1 por cento frente a outras moedas emergentes, como o peso chileno e o rand sul-africano. Ajudaram neste movimento novos dados da economia chinesa, que mostraram crescimento do setor de serviços desacelerando em julho ao nível mais lento em quase nove anos.

"Há uma preocupação de que, se a China desacelerar mais, afetaria as economias emergentes, e o Brasil está dentro desse grupo de economias que têm uma relação comercial estreita com a China", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.   Continuação...