Melhor correção da política fiscal é crescimento da economia, diz Mantega

terça-feira, 5 de agosto de 2014 19:17 BRT
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - A melhor correção para a política fiscal brasileira é o crescimento da economia, já que o maior problema das finanças públicas não é o controle das despesas, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à Reuters nesta terça-feira.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de novo ajuste na meta de superávit primário de 99 bilhões de reais para este ano, equivalente a 1,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o ministro deixou a questão em aberto, argumentando que é preciso esperar mais algum tempo.

"Vamos aguardar o segundo semestre", respondeu ele. "Sempre estaremos fazendo esforço máximo para tentar alcançar os objetivos fiscais, esse ano não será diferente", complementou.

O governo tem enfrentado grandes dificuldades para cumprir a meta de economia para pagamento de juros, já que a arrecadação está crescendo menos que as despesas, em um ambiente de fraca atividade econômica e grandes desonerações fiscais. No primeiro semestre, a receita total do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) subiu 7,2 por cento ante o mesmo período do ano passado, enquanto a despesa total cresceu 10,6 por cento.

Com isso, o superávit primário do setor público consolidado em 12 meses até junho caiu para 1,36 por cento do PIB.

Diante desse quadro fiscal mais frágil, Mantega disse que conta com receitas extraordinárias neste ano, como as que virão com o programa de refinanciamento de dívidas com o fisco (Refis) e com as concessões. Mas repetiu que é preciso esperar para ver se será necessário buscar novas fontes para fechar as contas.

O ministro afirmou que continua contando neste ano com 8 bilhões de reais que deverão ser arrecadados com o leilão de licenças de 700 MHz para a telefonia celular de quarta geração (4G), e mostrou preocupação com a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de suspender a publicação do edital do leilão.

"Não vejo razão para este adiamento, o edital estava em audiência pública e discutido abertamente. Espero que o adiamento seja por pouco tempo porque senão teremos problemas, estávamos contando com aproximadamente 8 bilhões de reais."   Continuação...