Produção e vendas de veículos no brasil têm pior julho desde 2007, diz Anfavea

quarta-feira, 6 de agosto de 2014 12:44 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria de veículos do Brasil teve em julho seu pior resultado de produção e vendas para o mês desde 2007, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela associação que representa o setor, Anfavea.

A produção das montadoras no mês passado somou 252,6 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, queda de 20,5 por cento sobre julho de 2013. Ante o mês anterior, houve alta de 17 por cento. No acumulado do ano, a indústria produziu 17,4 por cento a menos, ou 1,82 milhão de unidades.

A queda tem sido causada por fraquezas no mercado interno, atingido por reticência dos bancos na concessão dos crédito, e das exportações, que em julho caíram 36,7 por cento sobre um ano antes, para 34,2 mil veículos, segundo a entidade.

O cenário tem feito uma série de montadoras a ajustar produção por meio de concessão de férias, suspensão de contratos de trabalho e redução de jornadas em fábricas e obrigou o governo federal a adiar para o fim do ano aumento de carga tributária que deveria ter ocorrido no final de junho.

Segundo a Anfavea, o nível de emprego nas montadoras fechou julho em 150.295 postos ocupados, queda de 4,2 por cento sobre um ano antes.

Por segmento, a produção de carros e comerciais leves caiu 19,9 por cento em julho em relação ao mesmo período do ano passado. Já o volume produzido de caminhões recuou 30,5 por cento, enquanto ônibus tiveram queda de 22,9 por cento.

As vendas de veículos novos no mercado interno no mês passado subiram 11,8 por cento na comparação com junho, diante de um período maior de comercialização, mas tombaram 13,9 por cento sobre julho de 2013, para 294,8 mil unidades, segundo a Anfavea. No acumulado do ano, o setor acumula vendas de 1,96 milhão de veículos, queda anual de 8,6 por cento.

Em julho, a Anfavea reduziu suas projeções de desempenho da indústria este ano, prevendo queda de 10 por cento na produção e recuo de 5,4 por cento nas vendas no mercado interno. A projeção para as exportações é de queda de 29 por cento. Na ocasião, os estoques de veículos novos à espera de comprador eram de cerca de 400 mil unidades, suficiente para mais de 40 dias de vendas.

Com produção caindo mais do que as vendas, o estoque de veículos nas fábricas e nas concessionárias caiu de 395,5 mil para 382,6 mil unidades de junho para julho.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

 
Carros novos sendo transportados em São Bernardo do Campo, São Paulo. 29/04/2014. REUTERS/Paulo Whitaker