Ministro de Portugal: crescimento da economia atrairá investidores após estrago do BES

quarta-feira, 6 de agosto de 2014 16:23 BRT
 

LISBOA (Reuters) - O colapso de um dos maiores bancos de Portugal tem prejudicado a reputação do país e punido seus ativos, mas o fortalecimento da economia deve ajudar o país a recuperar o investimento perdido, disse o ministro da Economia na quarta-feira.

O caso do Banco Espírito Santo (BES), que foi resgatado pelo governo no domingo depois de registrar enormes perdas decorrentes da exposição ao império de negócios em ruínas de sua família fundadora, foi "atípico", disse o ministro português António Pires de Lima, citado pela agência de notícias oficial Lusa.

Investidores "precisam digerir o que aconteceu ... Mas então, eu acredito que os investidores vão saber fazer a distinção entre esse tema e o que é essencial, que é a evolução positiva da economia", disse ele.

"Eu espero que o sentimento positivo sobre a economia portuguesa prevaleça."

O índice de blue chips de Portugal PSI20 perdeu 25 por cento de seu valor desde o início de junho, quando os problemas associados à família Espírito Santo e o BES atingiram o sentimento dos investidores.

O índice acionário caiu 4 por cento nesta quarta-feira, liderado pelos bancos, diante de preocupações de que terão de pagar a conta do resgate de 4,9 bilhões de euros anunciado no fim de semana. Os rendimentos dos títulos de Portugal subiram para fechar em máximas de três semanas.

"As preocupações dos investidores estão lá, é por isso que os mercados caíram", disse Pires de Lima, citando a participação da Portugal Telecom como um fator.

A Portugal Telecom não comunicou a sua parceira brasileira Oi que detinha 900 milhões de euros em dívida emitida por uma holding da família Espirito Santo, e quando a holding entrou em default, a Portugal Telecom foi forçada a aceitar uma participação menor na nova empresa resultante da fusão com a operadora brasileira.

A economia de Portugal começou a se recuperar no ano passado e espera-se que apresente seu primeiro ano completo de crescimento em 2014, depois de três anos em recessão na sequência da crise da dívida e de um resgate internacional, do qual saiu em maio.

(Reportagem de Andrei Khalip)