August 6, 2014 / 8:20 PM / in 3 years

Dólar cai 0,40% sobre o real, com movimento de correção

4 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta quarta-feira, com os investidores realizando lucros após a moeda norte-americana atingir a máxima em quatro meses no intradia nesta sessão e encostar em 2,30 reais.

O movimento acabou, segundo operadores, evitando pressão de alta com preocupações com a Ucrânia.

A divisa norte-americana recuou 0,40 por cento, a 2,2736 reais na venda. Neste pregão, atingiu a máxima de 2,2965 reais logo após a abertura, cotação mais alta desde 27 de março, quando foi a 2,3005 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,2 bilhão dólares.

"O dólar subiu muito nesses últimos dias... Mesmo assim, a questão da Ucrânia continua preocupando e isso limita o espaço para quedas", resumiu o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Nos seis pregões anteriores, o dólar recuou apenas em um, acumulando alta de 2,66 por cento até a véspera, basicamente devido ao cenário externo.

A Rússia reuniu cerca de 20 mil soldados na fronteira do leste da Ucrânia e pode usar a desculpa de missão humanitária para enviá-los ao território ucraniano, informou a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan) nesta quarta-feira, seu alerta mais contundente até agora sobre um possível ataque terrestre de Moscou contra seu vizinho.

A notícia intensifica ainda mais as preocupações do mercado com a crise entre os dois países, que já levou a União Europeia e os Estados Unidos a imporem sanções contra a Rússia. O mercado teme que o impasse se traduza em punições ainda mais duras.

Essas preocupações ajudaram na véspera o dólar a subir quase 1 por cento ante o real, aproximando-o do patamar de 2,30 reais. Investidores já especulavam sobre a possibilidade de o Banco Central brasileiro agir mais para evitar novas altas, que tendem a pressionar a inflação.

"É normal que o mercado fique mais arisco quando o dólar chega nesses patamares porque o BC deu sinais no passado que não quer o dólar alto", disse o operador de câmbio de uma corretora internacional.

"Mas houve um movimento global de fortalecimento do dólar. Se não houver muita especulação ou volatilidade, acho que o BC deve continuar como está", acrescentou.

Pela manhã, a autoridade monetária deu continuidade às suas intervenções diárias e vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares. Foram vendidos 1,5 mil contratos para 1º de junho de 2015 e 2,5 mil contratos para 2 de fevereiro de 2015, com volume correspondente a 198,6 milhões de dólares.

O BC também vendeu a oferta total de até 8 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em setembro. Ao todo, o BC já rolou cerca de 12 por cento do lote total, que corresponde a 10,070 bilhões de dólares.

Desde o dia 31 passado, a moeda dos EUA se mantém acima de 2,25 reais e, segundo analistas, não deve voltar abaixo desse nível tão cedo.

"De fato, parece que todo esse clima de preocupações, de incertezas, levou o dólar se acomodou em níveis mais altos. Não vejo, pelo menos no curto prazo, um alívio que seja suficiente para fazer voltar a cair muito mais do que isso", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

O dólar vinha oscilando entre 2,20 e 2,25 reais desde o início de abril, com breves exceções, intervalo que agradaria ao BC por não ser inflacionário e não prejudicar as exportações. Com a cena externa mais pressionada, operadores acreditam que esse piso informal esteja se deslocando para cima, para perto dos 2,25 reais.

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