Produção de veículos no Brasil tem pior julho em 8 anos

quarta-feira, 6 de agosto de 2014 17:36 BRT
 

SÃO PAULO, 6 Ago (Reuters) - A indústria de veículos do Brasil teve em julho seu pior resultado de produção para o mês em oito anos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pela associação que representa o setor, Anfavea.

A produção das montadoras no mês passado somou 252,6 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, queda de 20,5 por cento sobre julho de 2013. Antes disso, o resultado mais fraco para julho ocorreu em 2006, com produção de 221.636 veículos.

Ante o curto mês de junho, porém, a produção de julho subiu 17 por cento, o que motivou esperanças da entidade sobre uma confirmação de sua expectativa de um segundo semestre melhor que a primeira metade do ano.

"Houve uma queda muito grande e não esperada na confiança no primeiro semestre (...) A partir de março houve um clima de pessimismo exagerado. Houve quebra de confiança no nosso consumidor, aliado a uma seletividade do crédito", disse o presidente da Anfavea, Luiz Moan, a jornalistas.

No acumulado do ano, a indústria produziu 17,4 por cento a menos, ou 1,82 milhão de unidades, ainda longe da projeção anual já reduzida da entidade, de queda de 10 por cento.

A desaceleração é atribuída pelo setor a fraquezas do mercado interno, que além da baixa confiança dos consumidores, tem sido atingido por reticência dos bancos na concessão de crédito. Além disso, as montadoras também estão sendo atingidas por tombo das exportações, que em julho caíram 36,7 por cento sobre um ano antes, para 34,2 mil veículos.

A Anfavea reduziu em julho suas projeções de desempenho da indústria este ano, prevendo queda de 10 por cento na produção e recuo de 5,4 por cento nas vendas no mercado interno. A projeção para as exportações é de queda de 29 por cento.

A revisão foi feita depois que os estoques de veículos novos à espera de comprador chegaram perto das 400 mil unidades em junho, suficiente para mais de 40 dias de vendas. Em julho, o número recuou, mas seguiu elevado, em 382,6 mil unidades.

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