BCE mantém juros baixos e diz que crise ucraniana ameaça recuperação

quinta-feira, 7 de agosto de 2014 12:14 BRT
 

Por Eva Taylor e John O'Donnell

FRANKFURT (Reuters) - A crise na Ucrânia acentuou os riscos à recuperação econômica fraca e desigual da zona do euro, e uma guerra de sanções retaliatórias pode piorar o problema, disse o Banco Central Europeu (BCE) nesta quinta-feira após manter suas taxas de juros em mínimas históricas.

O presidente do BCE, Mario Draghi, citou a instabilidade no Oriente Médio e também as tensões entre a Rússia e países do Ocidente acerca do conflito na Ucrânia entre os fatores que pesam sobre o crescimento na zona de moeda única. Moscou retaliou as sanções da União Europeia suspendendo as importações de alimentos da Europa.

Em entrevista à imprensa após a reunião mensal de política do banco central, ele reiterou que o BCE está pronto para recorrer ao "quantitative easing" --programa de compra de títulos-- se a perspectiva para inflação se deteriorar mais. Mas ele minimizou a leitura de 0,4 por cento de julho, a mais baixa em mais de quatro anos, considerando-a uma anomalia devido a quedas temporárias nos preços de alimentos e energia.

"Os riscos geopolíticos estão elevados, maiores do que eram há alguns meses. E alguns deles, como a situação na Ucrânia e Rússia, terão um impacto maior na zona do euro...do que em outras partes do mundo", disse Draghi.

Após cortar as taxas de juros para mínimas recordes em junho, o banco central da zona do euro decidiu não alterá-las, aguardando para ver se esquemas como os empréstimos ultrabaratos de quatro anos para bancos que vai lançar em setembro irão incentivá-los a emprestar mais.

O BCE manteve sua principal taxa de refinanciamento na mínima recorde de 0,15 por cento, como esperado. Também deixou inalterada a taxa de depósito de um dia para o outro em -0,10 por cento, o que significa que bancos pagam para manter recursos no banco central, e manteve sua taxa de empréstimo em 0,40 por cento.

Muitos agora estão mudando o foco de suas atenções para o ano que vem, quando esperam que o BCE seguirá os Estados Unidos e outros importantes bancos centrais no lançamento do programa de quantitative easing (QE).

Draghi mencionou explicitamente esta opção junto à possibilidade de comprar títulos lastreados em ativos (ABS, na sigla em inglês), apesar da expressa relutância do influente banco central alemão.   Continuação...