Rússia pode ser "revolução" para carnes do Brasil, diz Agricultura

quinta-feira, 7 de agosto de 2014 14:02 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O mercado da Rússia para as carnes brasileiras, que deverá ganhar ainda mais importância após embargo russo a produtos dos Estados Unidos, poderá representar uma revolução para a indústria do Brasil comparável à que a China provocou nas exportações de soja do país na última década, disse uma autoridade do Ministério da Agricultura nesta quinta-feira.

Na véspera, a Rússia informou que permitirá que o Brasil aumente significativamente suas exportações de carne e laticínios ao país, em meio a embargos russos aplicados a produtos alimentícios dos EUA e da União Europeia, em retaliação a medidas do Ocidente por conta da crise na Ucrânia.[nL2N0QC16H]

"Este anúncio... é grande oportunidade do mercado brasileiro trabalhar para conseguir exportar o nosso milho e a nossa soja, seja com rabo (carne bovina ou suína) ou com pena (carne de aves)", afirmou o secretário de Política Agrícola, Seneri Paludo, durante conferência de imprensa para comentar números de safra.

Segundo ele, a Rússia tem potencial de ser grande consumidor de commodities agrícolas.

"Não só do setor de carnes especificamente, seja de carne bovina e suína ou frangos, mas também de commodities agrícolas", afirmou Paludo.

A associação brasileira dos exportadores de carnes (Abiec) afirmou que o número de unidades habilitadas a exportar passou de 31 para 89 plantas após o movimento russo contra o Ocidente.

A Associação Brasileira para Proteína Animal (ABPA) informou que 25 unidades foram habilitadas na quarta-feira para exportar carne de frango ao mercado russo, totalizando agora 38 fábricas. Na carne suína, as unidades habilitadas passaram de oito para 12.

"Talvez, do mesmo jeito que aconteceu no processo de revolução na cadeia de grãos 10, 12 anos atrás, talvez a gente esteja vendo uma grande janela, de causar uma revolução na produção de carnes brasileira", disse o secretário.

As indústrias de frango do Brasil têm condições de atender "tranquilamente" uma demanda adicional da Rússia, que seria de cerca de 150 mil toneladas ao ano, disse a ABPA na quarta-feira. [nL2N0QC228]   Continuação...

 
Operário em um frigorífico da Marfrig em Promissão, São Paulo. 7/10/2011.  REUTERS/Paulo Whitaker