Mesmo com dólar subindo, cenário é de arrefecimento da inflação, diz Carlos Hamilton

quinta-feira, 7 de agosto de 2014 13:51 BRT
 

Por Walter Brandimarte

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, disse nesta quinta-feira que, mesmo com alguma alta do dólar sobre o real, a projeção é de recuo da inflação e repetiu a indicação de que o BC não vai reduzir a taxa básica de juros.

"Num dos cenários que trabalhamos, está contemplada alguma depreciação cambial e ainda assim teríamos recuo na projeção de inflação ao longo do tempo", afirmou o diretor a jornalistas, ao comentar o Boletim Regional apresentado nesta quinta-feira no Rio de Janeiro.

Carlos Hamilton citou o último Relatório Trimestral de Inflação onde, pelo cenário de mercado, o BC vê o IPCA perdendo força, fechando 2014 a 6,4 por cento, indo a 6 por cento no ano seguinte e a 5 por cento no segundo trimestre de 2016. Neste caso, o dólar médio é esperado em 2,39 reais no final deste ano e 2,48 reais em 2015.

Nas últimas semanas, o dólar mostrou valorização no mercado brasileiro, aproximando-se de 2,30 reais e deixando para trás uma banda informal vista pelo mercado de 2,20 a 2,25 reais que prevaleceu desde abril passado, com alguns poucos períodos de exceção.

"É provável que se observe nova rodada de pressão nos mercados de moedas globais", disse ele, acrescentando ainda que o cenário do BC contempla perspectivas de aumento gradual da inflação global.

O diretor repetiu ainda que parte dos efeitos da elevação da Selic --hoje a 11 por cento ao ano-- ainda está para aparecer nos preços e disse que, "se o ajuste monetário é satisfatório ou insuficiente para combater as pressões inflacionárias, é uma avaliação que o Copom vai fazer".

Em seguida, lembrou que no cenário do BC não é contemplada a redução do instrumento de política monetária, repetindo o claro recado dado pela última ata do Comitê de Política Monetária (Copom). A inflação, apesar de no cenário do BC perder força no futuro, continua em patamares elevados, próxima ao teto da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O BC fez um ciclo de aperto monetário que durou um ano e tirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento para o atual patamar de 11 por cento ao ano. Alguns especialistas chegaram a acreditar que, mesmo com a inflação elevada, o BC poderia reduzir a Selic para não prejudicar a fraca economia. A ideia foi enterrada com a ata.   Continuação...

 
Sede do Banco Central em Brasília. 15/01/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino