Dólar sobe 1% e encosta em R$2,30, pressionado por Ucrânia

quinta-feira, 7 de agosto de 2014 17:26 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta de quase 1 por cento nesta quinta-feira e chegou a 2,30 reais durante o pregão pela primeira vez em mais de quatro meses, impulsionado pelas crescentes tensões entre a Rússia e o Ocidente.

Com isso, segundo operadores, foi fortalecida a tese de que o cenário de incertezas globais e domésticas deve manter a moeda norte-americana acima do antigo teto informal de 2,25 reais nos próximos meses.

O dólar subiu 0,98 por cento, a 2,2959 reais na venda, após chegar a 2,3000 reais na máxima da sessão. De julho até agora, a valorização é de 3,89 por cento. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1 bilhão de dólares.

"Quando começou a pressão lá de fora, o pessoal aproveitou para testar alguns patamares mais altos para o dólar aqui, ver até onde conseguia chegar", afirmou o operador de câmbio da Intercam Glauber Romano, para quem o dólar não tem força para se sustentar acima de 2,30 reais.

No início da tarde, a agência de notícias AFP relatou que um jato militar foi derrubado em área ocupada por rebeldes pró-Moscou no leste da Ucrânia. O clima de preocupações já vinha de cedo, após a Rússia anunciar, pela manhã, sanções contra potências ocidentais.

Na cena doméstica, investidores aguardam a divulgação de pesquisa eleitoral do Ibope, que deve ser ocorrer ainda nesta quinta-feira. Os mercados têm demonstrado desconfiança sobre a condução da política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição em outubro.

"O cenário externo está complicado. Aqui, temos eleições... Tudo indica que o dólar vai continuar pressionado por enquanto", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Advanced, Reginaldo Siaca, para quem o intervalo de 2,25 a 2,30 reais deve se tornar uma nova referência para o mercado.

O dólar operou em níveis mais baixos, entre 2,20 e 2,25 reais, desde o início de abril até a semana passada, com breves exceções. Essa banda agradaria ao Banco Central brasileiro por não impactar a inflação ou as exportações.   Continuação...