8 de Agosto de 2014 / às 17:23 / 3 anos atrás

Preço do frete recua em plena safra de milho no Centro-Oeste

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços de frete agrícola no Centro-Oeste brasileiro estão atualmente cerca de um quarto mais baixos na comparação com um ano atrás, com vendas de milho travadas apesar do pico da colheita de uma grande safra.

Tomando-se como referência a rota entre Nova Mutum, no centro de Mato Grosso, e o porto de Santos (SP), o frete em julho ficou 26 por cento mais barato que no mesmo mês de 2013, segundo dados da EsalqLog, grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo especializado em logística agroindustrial.

“Um dos principais determinantes neste comportamento é o preço de comercialização do milho, a níveis insatisfatórios”, disse a EsalqLog, em nota à Reuters.

Operadores de logística no interior de Mato Grosso dizem que os negócios travados reduziram a demanda por frete em direção aos centros consumidores e polos exportadores.

“Não está tendo nada de frete. Não está tendo venda de milho pelo produtor”, reclamou o embarcador William Vinícius, responsável por contratar caminhoneiros para fretes avulsos em uma transportadora em Sorriso (MT), às margens da BR-163, principal via de escoamento de grãos do Centro-Oeste.

Segundo ele, nos poucos casos em que um frete de milho é fechado para o porto de Santos --que concentra os principais terminais exportadores de grãos do país-- o preço é de 230 reais por tonelada, contra 260 reais um ano atrás e bem abaixo dos 300 reais oferecidos no auge do escoamento da última colheita de soja, em meados do primeiro semestre.

O Brasil está em meio à colheita da segunda safra de milho da temporada 2013/14, que ficará muito perto do recorde do ano passado.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) previu na quinta-feira que o país deverá colher 46,87 milhões de toneladas do cereal nesta “safrinha”, contra 46,93 milhões um ano atrás.

A situação de preços e a demanda para exportações, no entanto, estão diferentes na comparação com 2013.

Os preços do milho no mercado físico estão 10 por cento mais baixos que em agosto de 2013, segundo o indicador ESALQ/BM&FBovespa. Já os embarques de milho em julho ficaram 19 por cento menores do que no mesmo mês do ano passado.

Neste cenário, a comercialização da safra de milho 2013/14 de Mato Grosso está 4,1 pontos percentuais atrás do índice registrado um ano atrás, quando 34,3 por cento da colheita já estava vendida, conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

A EsalqLog, no entanto, estima que os valores de frete devem subir nas próximas semanas devido às limitações da capacidade estática de armazenagem da região. Em outras palavras, com silos lotados no Centro-Oeste, não restará aos produtores outra alternativa além de fecharem negócio para escoar o produto.

“A expectativa das próximas semanas é de reajustes positivos no serviço de transporte”, disse o centro de pesquisa, na nota.

Outro fator que pode destravar os negócios e elevar a demanda por frete é a realização de leilões de subvenção governamental aos preços de milho.

O governo federal autorizou na última quarta-feira 500 milhões de reais para a realização de leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro). Os recursos deverão ajudar no escoamento de 7 milhões a até 10 milhões de toneladas do cereal.

A EsalqLog também cita “a possibilidade de competição de veículos com o açúcar”, cuja a safra já está da metade no centro-sul do país.

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