August 12, 2014 / 8:23 PM / in 3 years

Dólar fecha em leve alta sobre o real, com Ucrânia; BC amortece o movimento

3 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em leve alta ante o real nesta terça-feira, com a atuação mais forte do Banco Central amortecendo os temores vindos com a crise na Ucrânia e seus possíveis impactos sobre a economia global.

A moeda norte-americana subiu 0,18 por cento, a 2,2785 reais na venda, após chegar a 2,2850 reais na máxima da sessão. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,5 bilhão de dólares.

"Não adianta empurrar muito o dólar para cima se você sabe que o BC está de olho", disse o economista da área de análise da XP Investimentos, Daniel Cunha.

Boa parte do mercado já vê o nível de 2,30 reais como um novo teto informal e, quando a moeda norte-americana se aproxima dele, os investidores passam a realizar lucro. A avaliação é de que, nestes patamares, o câmbio poderia prejudicar a inflação, desagradando ao BC, que intensificou sua atuação diária no mercado nesta semana.

Há quase duas semanas o dólar tem sido negociado acima de 2,25 reais, deixando para trás o teto da banda informal de flutuação --entre 2,20 e 2,25 reais-- que vigorou desde abril passado com alguns breves períodos de exceção.

Para alguns especialistas, o intervalo de flutuação pode ter mudado de patamar, com a divisa passando a oscilar entre 2,25 e 2,30 reais.

Nesta manhã, a autoridade monetária vendeu a oferta integral de até 10 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em setembro, no segundo leilão ofertando mais papéis. Ao todo, o BC já rolou cerca de 30 por cento do lote total, que corresponde a 10,070 bilhões de dólares.

O BC também deu continuidade às suas intervenções diárias e vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, com volume equivalente a 198,8 milhões de dólares. Foram vendidos 3 mil contratos para 2 de fevereiro de 2015 e 1 mil para 1º de junho de 2015.

Durante a manhã, o dólar chegou a registrar altas maiores, refletindo os temores ligados à crise na Ucrânia.

"O cenário tenso no exterior com certeza pesa no ânimo aqui, mesmo quando não é um dia de grandes notícias", disse o operador de câmbio da corretora B&T, Marcos Trabbold.

A crise na Ucrânia colocou em lados opostos o Ocidente e a Rússia e já motivou sanções de ambos os lados. Nesta manhã, o instituto ZEW informou que a confiança de investidores e analistas da Alemanha caiu ao menor nível em mais de um ano e meio, explicando que as tensões no exterior estavam provavelmente por trás do resultado.

Investidores também monitoram atentamente a situação no Iraque, onde o presidente nomeou novo primeiro-ministro na segunda-feira para substituir Nuri al-Maliki e os Estados Unidos bombardearam insurgentes do Estado Islâmico.

"Não dá para operar com muita tranquilidade sabendo que há tantos pontos delicados no cenário geopolítico", resumiu o operador de uma corretora internacional.

No exterior, essas preocupações levavam o dólar a se fortalecer contra o euro.

Edição de Patrícia Duarte

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