Safra 14/15 exigirá maior gestão de custos e beneficiará grandes, indica Cargill

terça-feira, 12 de agosto de 2014 20:23 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços mais baixos da soja na próxima safra deverão mudar a maneira como produtores e empresas do setor operam no Brasil, exigindo maior atenção com gerenciamento de custos devido a um maior carregamento de estoques, o que tende beneficiar grandes empresas e produtores, disse nesta terça-feira um executivo da multinacional Cargill.

O cenário, que inclui uma safra recorde a ser colhida nos Estados Unidos em menos de dois meses e uma nova colheita histórica no Brasil, deverá favorecer justamente empresas como a Cargill e outras tradings, mais capitalizadas e com melhor estrutura de armazenagem, indicou o diretor de grãos e processamento de soja no Brasil da gigante norte-americana, Paulo Sousa.

A projeção de ampla oferta pressiona preços no mercado internacional, o que altera o ritmo de se vender soja em relação a um passado recente.

"Antes se demandava rapidez na remoção dos estoques. Os compradores precisavam que a safra brasileira entrasse logo, que estivesse já disponibilizada nos portos. Agora, como tem estoque para todo o lado, o consumidor não tem pressa de comprar", disse Sousa a jornalistas, após um evento realizado pela empresa.

Ele observou que, ao contrário da safra anterior, quando o mercado remunerava quem conseguisse remover rapidamente os estoques para a China ou a Europa, agora deve ser beneficiado quem é capaz de segurar o produto, seja o produtor ou as tradings.

"Para carregar o produto, armazenar, demanda um esforço de capital muito grande. Alguém está pagando. Há um custo financeiro da mercadoria parada. Você necessita também da capacidade física para armazenar", destacou ele, que é responsável pela segunda maior operação de soja do país.

A estratégia da Cargill será otimizar o uso de armazéns e a movimentação de cargas, disse Sousa.

"Empresas como a nossa têm cerca de 120 pontos de armazenagem espalhados pelo Brasil. Então a gente sempre busca eficiência e flexibilidade. Eu vou mover o produto no lugar em que eu consigo ter, em algum momento, uma condição de competititvidade maior, custo mais baixo para mover isso para o porto ou uma fábrica", afirmou o executivo.

Atualmente, os estoques para uso imediato estão baixos nos EUA. Neste cenário, o primeiro contrato negociado na bolsa de Chicago, com vencimento em agosto, está 20 por cento mais valorizado que o vencimento novembro, que serve de referência para a nova safra norte-americana.   Continuação...