Economia da zona do euro tem estagnação mesmo antes de efeitos de sanções russas

quinta-feira, 14 de agosto de 2014 11:56 BRT
 

Por Michelle Martin e Martin Santa

BERLIM/BRUXELAS (Reuters) - A economia da zona do euro registrou estagnação no segundo trimestre do ano, pressionada pela contração na Alemanha e pela falta de crescimento na França.

O resultado divulgado pela agência de estatísticas Eurostat nesta quinta-feira foi um alarme para políticos e autoridades econômicas da região de 18 países, que já se prepara para o impacto de sanções retaliatórias contra a Rússia devido à Ucrânia.

A economia alemã, a maior da Europa, se contraiu 0,2 por cento na comparação trimestral, resultado pior do que a projeção do banco central, de estagnação, com o comércio exterior e os investimentos sendo notavelmente os pontos fracos, segundo a Agência de Estatísticas da Alemanha.

"Os números de hoje mostram que a retomada continua fraca demais para lidar com os choques externos, o que significa que o crescimento do PIB provavelmente continuará empacado num modo stop-and-go", disse o economista-chefe do ING Peter Vanden Houte.

A França ainda teve desempenho um pouco melhor, uma vez que seu Produto Interno Bruto estagnou pelo segundo trimestre seguido. Isso forçou o governo francês a confrontar a realidade, afirmando que não cumprirá a meta de déficit orçamentário neste ano e reduzindo pela metade a projeção de 1 por cento de crescimento para 2014.

A Itália, terceira maior economia da zona do euro, votou a entrar em recessão pela terceira vez desde 2008, encolhendo 0,2 por cento no segundo trimestre.

A Comissão Europeia afirmou que o relatório desta quinta-feira sobre o PIB mostra a importância de reformas estruturais. "O ajuste em andamento na zona do euro hoje é uma história de profunda mudança estrutural", disse a jornalistas um porta-voz da Comissão Europeia. "Acontecimentos externos podem elevar as incertezas, mas as fundações continuam intactas."

O ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, atribuiu a desaceleração de seu país a ameaças do leste europeu e do Oriente Médio, além da zona do euro mais fraca. Além disso, ele afirmou que o ritmo no setor de construções continuou durante o inverno ameno, de modo que o segundo trimestre não viu a retomada usual no setor.   Continuação...

 
Homem usa telefone celular para tirar foto de escultura do euro do lado de fora do Banco Central Europeu, em Frankfurt. REUTERS/Kai Pfaffenbach