Aumento da inadimplência empurra Caixa e BB para caminhos opostos

quinta-feira, 14 de agosto de 2014 18:58 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - As estratégias do dois bancos comerciais controlados pelo governo federal se distanciaram no segundo trimestre, na esteira da piora na qualidade das suas carteiras após anos de crescimento acima da média do mercado.

O Banco do Brasil fez sua carteira de empréstimos se expandir 13,8 por cento em 12 meses até julho, abaixo do ritmo previsto para 2014, de 14 a 18 por cento, ao desacelerar linhas consideradas mais arriscadas, como consumo.

O ritmo foi próximo ao dos rivais Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil, de 5 a 10 por cento, refletindo a baixa disposição dos bancos para amealhar novos negócios numa economia que cresce pouco pelo quarto ano seguido.

Já o estoque de financiamento do Caixa Econômica Federal avançou 28 por cento no mesmo período, acima da faixa prevista para o ano, de 22 a 24 por cento, puxado justamente pelas concessões para pessoa física.

Em comum, Caixa e BB registraram aumento da inadimplência medida pelo saldo das operações com mais de 90 dias em atraso, mas a disposição de cada um para seguir assumindo risco vai em rumos distintos, num momento de fraca atividade econômica do país.

O BB, cujo índice de calotes passou de 1,87 para 1,99 por cento em 12 meses, fez provisões para perdas com inadimplência 8,4 por cento maiores na comparação anual, em linha com o crescimento da carteira, com o banco reduzindo o financiamento para automóveis, um dos tipo e crédito que mais lhe deram dor de cabeça nos últimos anos.

"Temos foco em linhas como agronegócio e imobiliário", disse nesta quinta-feira a jornalistas o vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do BB, Ivan Monteiro, referindo-se a linhas mais seguras.

Analistas elogiaram o lucro recorrente do BB, que veio acima das expectativas. Na Bovespa, a ação do BB subiu 3,65 por cento, a maior alta do Ibovespa, que avançou 0,36 por cento.   Continuação...