19 de Agosto de 2014 / às 15:58 / 3 anos atrás

El Niño fraco deve favorecer nova safra recorde de soja no Brasil

SÃO PAULO (Reuters) - O fenômeno climático El Niño, que deverá atingir o Brasil com intensidade fraca a moderada nos próximos meses, provavelmente favorecerá o desenvolvimento da nova safra de soja e milho no país, apesar de exigir atenção em algumas regiões devido à irregularidade das chuvas no início da temporada, disseram meteorologistas.

O plantio das primeiras lavouras de soja da temporada 2014/15 começa oficialmente a partir de 15 de setembro nas principais regiões agrícolas, com o fim do período de vazio sanitário contra o fungo da ferrugem. Tradicionalmente neste período ocorrem também as chuvas que permitem o brotamento das primeiras sementes.

"O clima para essa safra 2014/15 está bastante favorável tanto para Centro-Oeste como o Sul, e também para o Sudeste, embora esta região tenha um foco em outras culturas (cana e café, por exemplo)", disse o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo.

No início do mês, o Centro de Previsão Climática, do governo dos Estados Unidos, disse que as chances de El Niño nos próximos meses é de 65 por cento.

"O consenso entre meteorologistas projeta uma ocorrência de El Niño entre agosto e outubro com um pico de intensidade fraca durante o final do outono (do Hemisfério Norte, final da primavera no Hemisfério Sul) e início do inverno (verão do Hemisfério Sul), disse a agência em um relatório mensal.

Nascimento, da Climatempo, explicou que o El Niño no Brasil, mesmo que fraco, favorece sol pela manhã e pancadas de chuva à tarde e à noite, o que ajuda o desenvolvimento das lavouras de grãos.

O El Niño tem efeitos mais pronunciados nos extremos do país --no Norte, Nordeste e no Sul--, mas em grande parte do território, no Brasil central, a influência é moderada, ressaltou o meteorologista Manuel Rangel, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura.

"A expectativa é que as chuvas fiquem ligeiramente acima da média... Mas o El Niño tem um efeito bem diferente dependendo da região", disse ele.

O Brasil deverá plantar uma área recorde com soja em 2014/15 e, em condições ideais de clima, poderá atingir boas produtividades, confirmando uma colheita histórica acima de 90 milhões de toneladas de soja, disseram algumas consultorias nas últimas semanas.

INÍCIO DO PLANTIO

Muitos agricultores brasileiros correm para realizar o plantio de soja logo nos primeiros dias do período autorizado, com sementes de ciclo curto, para garantir uma janela mais ampla para a semeadura de uma segunda safra de milho, logo após a colheita da soja.

Este ano os agricultores, especialmente de Mato Grosso, principal Estado produtor de grãos, deverão ficar atentos com a umidade do solo no início da temporada.

"As previsões para setembro mostram para o Centro-Oeste um mês seco e quente", disse o meteorologista Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, ressaltando que haverá precipitações no início do mês, sem continuidade na segunda quinzena.

"A tendência para Mato Grosso e Centro-Oeste é que as chuvas sejam mais regulares somente a partir de outubro, e a partir daí as coisas andam", disse ele.

Para o Paraná, outro grande produtor de soja e milho no verão, o início do plantio deverá ser bastante favorecido por chuvas abundantes.

"A expectativa é que o Paraná tenha uma situação melhor para o plantio", disse Oliveira, da Somar.

O Simepar, instituto de meteorologia ligado à Universidade Federal do Paraná, destacou, no entanto, que os produtores deverão ficar atentos à previsão para sua localidade, antes de colocar a semente no solo.

"A gente pode ter discrepância bem grande de chuvas acumuladas e mesmo variação de extensão de chuvas em setembro. Mais para o norte do Paraná, pode ficar mais dias sem chuvas", disse a meteorologista Ana Beatriz Porto, do Simepar.

O El Niño é o nome dado ao aquecimento, por alguns meses, da água da superfície do Oceano Pacífico, que causa alterações nos padrões climáticos ao redor do planeta, como secas em algumas regiões e chuvas torrenciais em outras.

Reportagem adicional de Fabíola Gomes

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