Medidas do governo terão efeito positivo no crédito, diz Febraban

quarta-feira, 20 de agosto de 2014 19:54 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - As medidas anunciadas nesta quarta-feira pelo governo federal para estimular o crédito devem produzir efeitos positivos de curto, médio e longo prazos, disse o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal.

"(As medidas) representam uma importante modernização do marco regulatório brasileiro", disse Portugal em nota, ressaltando o aumento das garantias nas concessões de crédito e maiores facilidades na recuperação das garantias, além da redução de custos e da burocracia, especialmente no crédito imobiliário.

À tarde o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um pacote de medidas de estímulo ao crédito, incluindo a possibilidade de que imóveis quitados sejam usados como garantia de operações de crédito. [ID:L2N0QQ25S]

Além disso, os bancos poderão usar até 3 por cento da captação em poupança para estas operações, o que pode gerar cerca de 16 bilhões de reais em novas operações. A implementação será por meio de resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).

O governo também anunciou a dispensa de cobrança judicial para operações de crédito sem garantia com limite de até 100 mil reais. No caso das operações com garantia, o valor é de 50 mil reais.

Mais cedo, o Banco Central anunciou medidas para estimular o mercado de crédito, incluindo elevação da parcela do recolhimento compulsório a prazo que pode ser cumprida com operações de crédito. [ID:L2N0QQ1H1]

Em nota, o Santander Brasil (SANB11.SA: Cotações) avaliou que as medidas terão reflexos positivos sobre a atividade econômica, tanto pela liberação de mais recursos de depósitos compulsórios para operações de crédito quanto pelo foco no financiamento imobiliário e para compra de veículos.

Em apresentação a investidores da Apimec, o presidente-executivo do Bradesco BBDC4.SA, Luiz Carlos Trabuco, disse que as medidas do BC serão positivas para os bancos, mas que ainda há espaço para mais flexibilização dos requerimentos de capital.

Já a agência de classificação de risco Fitch afirmou que as medidas do BC para incentivar empréstimos por bancos locais podem não ser suficientes para superar as preocupações de muitos bancos com a qualidade de crédito, diante da desaceleração macroeconômica do país. [ID:E6N0Q603O]

(Por Aluísio Alves)