Yellen diz que mercado de trabalho dos EUA ainda sofre e pede política "pragmática"

sexta-feira, 22 de agosto de 2014 11:42 BRT
 

JACKSON HOLE EUA (Reuters) - Os mercados de trabalho dos Estados Unidos continuam prejudicados pelos efeitos da Grande Recessão e o Federal Reserve deve agir cautelosamente ao determinar quando a economia estará forte o suficiente para que a taxa de juros suba, afirmou nesta sexta-feira a chair do banco central dos Estados Unidos, Janet Yellen, em uma defesa de sua postura.

Em discurso na conferência de bancos centrais em Jackson Hole, Yellen apresentou em detalhes os motivos pelos quais sente que a taxa de desemprego não é suficiente para avaliar a força do mercado de trabalho dos EUA.

A taxa de desemprego tem caído mais rapidamente do que o esperado, mas Yellen afirmou que os problemas econômicos dos últimos cinco anos deixaram milhões de trabalhadores afastados do mercado, desencorajados ou presos em empregos de meio período --fatos que não são capturados pela taxa de desemprego.

Julgar se a economia está perto do pleno emprego é algo "complicado pelas mudanças contínuas na estrutura do mercado de trabalho e a possibilidade de que a recessão severa tenha provocado mudanças persistentes no funcionamento do mercado de trabalho", disse Yellen no discurso de abertura da conferência anual de política econômica do Fed.

"Avaliações do grau de ociosidade remanescente no mercado de trabalho precisam se tornar mais diversificadas devido à incerteza considerável sobre o nível de emprego consistente com o duplo mandato do Federal Reserve" de preços estáveis e pleno emprego, completou ela.

Em tal ambiente "não existe uma receita simples para uma política apropriada", disse Yellen, pedindo uma postura "pragmática" que dê às autoridades espaço para avaliar dados conforme eles chegam, sem se comprometerem com um caminho de política pré-determinado.

O discurso de Yellen incluiu referências prolongadas à possibilidade de que os mercados de trabalho possam de fato estar mais pressionados do que parecem e de que o Fed possa estar em risco de ter que elevar os juros mais cedo e mais rápido do que o esperado.

Mas, no geral, as declarações marcaram uma defesa de sua premissa básica de que a crise financeira e recessão de 2007-2009 afetou a economia e a força de trabalho de maneiras que não foram totalmente compreendidas.

O Fed tem mantido as taxas referenciais perto de zero desde dezembro de 2008 e afirmado que vai esperar "um tempo considerável" após encerrar seu programa de compra de títulos em outubro antes de elevá-las. Os mercados financeiros projetam no momento que as taxas de juros subirão por volta de meados do ano que vem.

(Reportagem de Howard Schneider, Michael Flaherty e Jonathan Spicer)