Petrobras quer reajuste de combustíveis apesar de queda na defasagem, diz fonte

sexta-feira, 22 de agosto de 2014 15:52 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras continuará reivindicando o reajuste dos preços dos combustíveis, apesar da recente redução da defasagem entre os preços praticados no mercado interno e externo, que tem gerado prejuízo para a estatal, disse à Reuters uma fonte do alto escalão da empresa.

Os preços de petróleo no mercado externo atingiram as mínimas de vários meses, pressionando na mesma medida os preços dos combustíveis que a estatal compra no mercado global para atender a demanda interna. As cotações do petróleo Brent, referência do mercado internacional, do petróleo nos Estados Unidos acumulam queda de cerca de 10 dólares por barril desde junho.

O cenário de preços menores no exterior dá um alívio ao caixa da empresa, cujo acionista controlador, o governo federal, não permite o repasse aos consumidores brasileiros dos preços mais elevados praticados no exterior, para não pressionar a inflação.

"Se continuar assim a tendência é de uma convergência no momento atual, mas houve divergência até pouco tempo", afirmou a fonte, em condição de anonimato. "Pode ser um alívio momentâneo, mas não é ainda a solução...trabalhamos sempre pela convergência."

No primeiro semestre, a estatal importou 415 mil barris de derivados de petróleo por dia, 31 por cento acima do registrado no mesmo período de 2013, de 318 mil barris/dia.

Segundo um estudo da GO Associados divulgado na quinta-feira, a defasagem do preço da gasolina no Brasil ante o valor registrado nas refinarias nos EUA deve ficar em 11 por cento em agosto, abaixo da defasagem de 13 por cento em julho e dos 18 por cento de junho.

Esse percentual é o menor registrado pela consultoria desde novembro do ano passado, quando houve o último reajuste do combustível no Brasil, de 4 por cento nas refinarias.

"A queda do Brent claramente é uma notícia boa para nós", disse a fonte à Reuters. "Os preços estão se aproximando dos internacionais; mas ainda há uma defasagem."

Segundo o estudo, a diferença do preço do diesel --combustível mais vendido pela Petrobras-- deverá ficar neste mês em 4 por cento, menor nível desde o início dos registros pela consultoria em agosto de 2013. Em agosto do ano passado, a defasagem do diesel ante a cotação externa era de 22 por cento.   Continuação...